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Ex-presidente do Banif: Estado podia ter recebido mais €250 milhões se não fosse a TVI

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José Carlos Carvalho

Jorge Tomé aponta o dedo à TVI como acelerador do processo de resolução do banco, que aconteceu em dezembro de 2015. Em causa está uma notícia que afirmava que o Banif iria ser alvo de uma intervenção - foram consequentemente levantados do banco €960 millhões.

O ex-presidente do Banif, Jorge Tomé, reiterou que o que acelerou o processo de insolvência do banco foi o episódio TVI, uma vez que "deu cabo da reputação". O canal de televisão anunciou a 13 de dezembro que o Banif iria ser alvo de uma resolução e no dia a seguir houve uma corrida aos depósitos. "Se não fosse o episódio TVI, o processo (de venda do Banif) estaria concluído até abril de 2016", afirmou Jorge Tomé na comissão parlamentar de inquérito. Se tivesse sido esse o desfecho e a venda tivesse sido feita noutras condições, o Estado teria conseguido arrecadar 400 milhões de euros (em vez dos 150 milhões recebidos com a venda ao Santander) e teria de dar como garantia apenas 300 milhões de euros, acrescentou o gestor. E, sublinhou, ainda teria recebido o que faltava pagar em CoCos, ou seja, 125 milhões de euros.

Questionado pelo deputado do PSD Carlos Abreu Amorim sobre quais as motivações que terão estado por detrás da notícia da TVI, Jorge Tomé respondeu: "Não consigo perceber o que é que aconteceu." O ex-presidente do Banif acrescentou mais pormenores sobre essa noite de domingo, dia 18 de dezembro: "Quando a notícia ocorreu eu próprio fui informado pelo jornalista que estava na TVI a coordenar a notícia – era o jornalista António Costa, ex-diretor do Diário Económico – e eu disse-lhe que não tinha qualquer fundamento, era uma noticia caluniosa e muito grave. E ele que confirmasse a notícia junto do Ministério das Finanças ou do Banco de Portugal. Ele disse que era a informação que tinham, portanto a notícia esteve no ar duas ou quase três horas em rodapé, e ia tendo contornos diferentes, não sei se para criar apetite para que a corrida aos depósitos fosse maior".

Essa notícia, acrescentou Jorge Tomé, "deu cabo da reputação do Banif e desvalorizou significativamente as propostas" para compra do banco. "Depois da notícia da TVI e do que aconteceu ao Banif nessa semana, eu nunca acreditei que houvesse propostas para o Banif", confessou o antigo homem-forte do banco. "Fiquei muito surpreendido que afinal houvesse".

Em resposta à deputada do CDS Cecília Meireles, afirmou que soube através de um email da direção-geral da concorrência europeia, recebido a 15 de dezembro de 2015 via representantes do Estado na instituição, que a solução para o banco fundado por Horácio Roque poderia estar concluída a 30 de abril de 2016. Ou seja, o processo de venda do Banif tinha quatro meses para estar concluído. O gestor sublinha ainda que o email referia as condições de venda, a data de entrega das propostas, o tipo de comprador, e a data de fecho do negócio. "Só faltava dizer que era o Santander", diz, referindo-se ao perfil do comprador.

Venda ao Banif foi uma concessão

"A venda do Banif ao Santander não foi uma venda, foi uma concessão", admite Jorge Tomé, quando questionado sobre o processo de venda do Banif ao banco espanhol por Carlos Abreu Amorim. E acrescentou mais tarde: "Mais do que uma liquidação forçada, foi uma doação"

Ao deputado do PCP Miguel Tiago, Jorge Tomé começou a sua intervenção por defender que "a história tem-nos mostrado que a única forma de ter uma banca sólida é ela ser pública". O ex-presidente do Banif diz que se não fosse o descalabro do Brasil, o Banif provavelmente teria pago totalmente os CoCos. E defende que o Banco de Portugal desconhecia a grave situação do banco no Brasil quando o Banif lhe apresentou a situação em junho de 2012.