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Anomalias no Banif? Ex-presidente Marques dos Santos diz que “a história está por fazer”

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O primeiro inquirido na comissão parlamentar admite que houve problemas no Brasil e transações que “não foram as operações mais corretas”

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O ex-presidente do Banif Joaquim Marques dos Santos acredita que ainda há muitos pormenores por apurar sobre anomalias nas operações do banco. “Relativamente a situações anómalas, penso que a história ainda está por fazer”, disse o antigo gestor na comissão parlamentar de inquérito do Banif.

Marques dos Santos reconheceu que “houve alguns problemas no Brasil” e transações que “não foram as operações mais corretas”, sobretudo envolvendo responsáveis do banco que tomaram decisões que excederam os seus poderes. “Eu próprio também estou envolvido, porque devia ter verificado e não verifiquei”, admitiu Marques dos Santos, que liderou o Banif até 2012.

Sobre os problemas do Banif no Brasil, Joaquim Marques dos Santos afirmou que conheceu Allan Toledo no Brasil em 2010, mas disse desconhecer qual a ligação deste elemento ao Banif. Em 2015 a imprensa brasileira noticiou a detenção de Allan Toledo, classificando-o como executivo do Banif no Brasil, numa operação em que era suspeito de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Ainda na sua audição na comissão de inquérito, Marques dos Santos garantiu esta terça-feira no Parlamento que desconhecia a queixa que o Estado angolano apresentou a Portugal em 2008 reclamando a propriedade de uma parte do banco português, em resultado de um financiamento feito ainda na década de 1990.

“Nunca tive conhecimento dessas negociações”, comentou Joaquim Marques dos Santos na comissão de inquérito do Banif, assegurando nunca ter sido notificado da queixa do Estado angolano. “Para mim foi tudo uma grande surpresa”, referiu o antigo gestor, que liderou o Banif até 2012.

Questionado pela deputada Mariana Mortágua sobre o histórico da estrutura de controlo do Banif, Joaquim Marques dos Santos sublinhou que “o comendador Horácio Roque tinha a preocupação de ter a maioria do capital, situação que se manteve até à sua morte”.