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Banif no Parlamento: quem são os primeiros inquiridos?

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Joaquim Marques dos Santos, Jorge Tomé, Luís Amado e António Varela. Estes serão os primeiros a desfilar nos corredores da Assembleia da República para a comissão de inquérito do Banif. Vão contar o que sabem a partir desta terça-feira

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre o processo de venda do Banif aos espanhóis do Santander arranca esta terça-feira com as audições a várias personalidades, incluindo antigos gestores do banco. Joaquim Marques dos Santos, Jorge Tomé, Luís Amado e António Varela são os primeiros a ser ouvidos.

Estes quatro ex-gestores do Banif serão inquiridos pelos deputados entre terça e quinta-feira, tendo a oportunidade de esclarecer a CPI sobre temas como a recapitalização do banco pelo anterior Governo, o insucesso no processo de venda que antecedeu a operação de alienação ao Santander e os termos do próprio negócio feito com o banco espanhol. Mas quem são e que responsabilidades tiveram estes primeiros quatro nomes na CPI do Banif?

Joaquim Marques dos Santos

Será ouvido no Parlamento esta terça-feira a partir das 9h30. Tem 72 anos, é natural de Caldas da Rainha e foi presidente do grupo Banif entre 2010 e 2012, embora já desde 2000 liderasse a comissão executiva do Banif - Banco Internacional do Funchal SA, do qual era vice-presidente desde 1992. Na década de 70 foi administrador dos bancos Totta e Açores e Fonsecas e Burnay. Em 2011, quando Portugal fez o pedido de assistência financeira, Marques dos Santos desvalorizou a descida de rating do Banif para "lixo", determinada pela agência Fitch. "Há algum exagero por parte das agências de rating face ao sistema financeiro português, porque a banca tem-se comportado bem", afirmava Joaquim Marques dos Santos ao Expresso em abril de 2011.

Jorge Tomé

Com audição marcada para esta terça-feira às 15h, Jorge Tomé é uma das peças-chave da CPI, já que foi o presidente executivo do Banif entre 2012 e o final de 2015, até ao banco ser vendido ao Santander. Hoje com 61 anos, fez carreira no sector financeiro, tendo sido administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e presidente da Caixa Banco de Investimento. O gestor, nascido no Huambo (Angola) e licenciado em organização e gestão de empresas em 1979 no ISCTE, passou ainda pelas administrações da Cimpor e da Portugal Telecom, entre outras. Desde que saiu do Banif teceu fortes críticas ao processo de venda do banco, classificando-o como "desastroso". "O Santander fez o trabalho dele, escolheu o melhor e ao preço que quis", comentou Jorge Tomé no final de dezembro, na SIC.

Luís Amado

O antigo ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros será ouvido na CPI do Banif na quarta-feira às 17h30. Luís Amado foi nomeado presidente do conselho de administração do Banif (não executivo) em março de 2012. Em dezembro, numa entrevista ao "Diário Económico" e à Antena 1 considerou "inevitável" a concentração na banca à escala europeia e nacional. Luís Amado esteve diretamente envolvido nas negociações para a entrada de um investidor da Guiné Equatorial na recapitalização do Banif, que não se veio a concretizar e reconheceu que a sua experiência diplomática jogava a seu favor. "Se o presidente do Banif não soubesse situar no mapa a Guiné Equatorial teria muita dificuldade em lá ir", chegou a dizer em 2014.

António Varela

Tem audição agendada para quinta-feira, 31 de março, às 17h30. Nascido na Marinha Grande, tem 59 anos. Licenciou-se em organização e gestão de empresas pelo ISEG. Representou o Estado português no Banif como administrador não executivo em 2013 e 2014, depois de ter sido administrador financeiro da Cimpor (entre 2009 e 2012) e de ter tido uma posição de topo na representação portuguesa do banco UBS (entre 2000 e 2009). Antes teve ainda funções no BCP e na CMVM, entre outras. Em setembro de 2014 António Varela foi nomeado administrador do Banco de Portugal, assumindo o pelouro da supervisão prudencial. Em 2015 o "Público" noticiou que António Varela apesar das funções de supervisor tinha interesses económicos no sector, já que tinha ações do Banif, do Santander e do BCP. Em março de 2016 Varela demite-se do Banco de Portugal.