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Portugal tem saúde para dar e vender

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Os fármacos representam 78% das exportações da Saúde

Vendas ao exterior foram de €1,2 mil milhões em 2015

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Na fábrica da Bluepharma, em Coimbra, as duas centenas de trabalhadores da unidade industrial portuguesa sabem hoje que têm trabalho garantido para os próximos anos. Os contratos de produção de medicamentos para terceiros, com prazos bem definidos, levam o presidente-executivo da empresa a olhar para o futuro com otimismo. “Já temos uma fotografia com alguma nitidez dos próximos cinco anos”, conta ao Expresso Paulo Barradas. E essa fotografia mostra que o mundo continuará a consumir comprimidos e cápsulas como as que a Bluepharma produz na fábrica comprada em 2001 à alemã Bayer.

A Bluepharma fechou 2015 com vendas de €35 milhões, dos quais 86% foram exportações. Para este ano o gestor projeta um crescimento da faturação de 10%, mantendo a quota de vendas ao exterior. A empresa é um dos casos bem sucedidos de investimento na área da saúde, em que se inclui a investigação e desenvolvimento (que na Bluepharma emprega 80 pessoas).

A farmacêutica de Coimbra exemplifica a oportunidade (e necessidade) que o mercado internacional representa. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2015 as exportações do sector da saúde alcançaram €1216 milhões. É um novo recorde exportador. E representa um crescimento de 4% face a 2014, ano em que as exportações tinham crescido quase 12%.

Joaquim Cunha, diretor executivo do Health Cluster Portugal (associação criada em 2008 para promover este sector), admite que “em 2015 o crescimento é mais modesto do que o do ano anterior, mas é ainda superior à média das exportações portuguesas”. “Ao longo dos últimos anos há um crescimento persistente das exportações da saúde, resultado da preparação das empresas para entrar em mercados externos”, comenta o dirigente.

As exportações do sector crescem há cinco anos seguidos. Mas as contas do INE mostram que também as importações estão em alta. Em 2015 na área da saúde, Portugal importou €3,3 mil milhões, mais 15% que no ano anterior. O que significa que, apesar do bom desempenho exportador, o país tem ainda um défice comercial de €2,1 mil milhões na área da saúde.

O diretor do Health Cluster Portugal enfatiza o facto de o maior mercado de exportação serem os Estados Unidos da América (EUA), o que é um factor de prestígio para as empresas nacionais, dados os requisitos exigentes da agência norte-americana FDA (Food and Drug Administration, equivalente ao português Infarmed). Alemanha, Reino Unido, Angola e Espanha são outros destinos fortes de exportação. Segundo o INE, quase 78% das vendas ao exterior são fármacos e um pouco mais de 21% é material médico-cirúrgico e instrumentos.

Joaquim Cunha diz que “é aceitável continuar a prever crescimentos de 4% a 6% das exportações, mas já não deveremos ter crescimentos de dois dígitos”. Ainda assim, há um largo potencial global para a indústria portuguesa da saúde ampliar as vendas ao exterior. O diretor executivo do Health Cluster acredita que agora o principal desafio é “trabalhar as questões ligadas à reputação”, para que o sector português da saúde deixe de ter uma imagem indiferenciada e passe a ser visto como uma referência internacional.

Números

1216 milhões de euros foi quanto Portugal exportou na área da saúde em 2015, mais 4% do que em 2014

3320 milhões de euros é o valor importado por Portugal na saúde em 2015, mais 15% do que no ano anterior

26% foi a queda das exportações portuguesas da área da saúde para Angola no ano passado

503% foi quanto aumentaram as vendas de fármacos e material médico para a Venezuela em 2015