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Ricciardi diz que administração da Ongoing travou venda do “Diário Económico”

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José Ventura

José Maria Ricciardi, presidente do antigo BESI, diz que o banco teve vários interessados na compra do “Diário Económico”, mas que a administração da Ongoing de Nuno Vasconcellos só mandatou o banco para a venda “​quando a situação financeira do jornal já era muito má”

O processo de venda do "Diário Económico" foi prejudicado pela administração da Ongoing, liderada por Nuno Vasconcellos, que não quis alienar o jornal quando a sua situação financeira ainda era passível de recuperação. A acusação É feita pelo presidente do Haitong Bank, José Maria Ricciardi, no âmbito de uma entrevista que o Expresso publica esta sexta-feira na sua edição em papel.

Questionado sobre alguns aspetos da relação do BES com a Ongoing, José Maria Ricciardi – presidente do ex-BESI, entretanto comprado pelos chineses da Haintong – garantiu, a propósito da situação do "Diário Económico", que "teria sido possível" vender o jornal se a Ongoing não tivesse atrasado esse processo.

“"Procurei compradores e se se tivesse dado ao banco (BESI) um mandato de venda muito mais atrás, como lhes tinha sido pedido, teria sido possível vender. Houve muito interesse, mas numa fase em que nós não conseguimos obter o nosso mandato para a venda. Como se demorou muito tempo a decidir, no momento em que esse mandato foi concedido, a situação financeira do Diário Económico já era muito má", explica Ricciardi.

Sem especificar os contornos concretos dos problemas financeiros do jornal – que acumulou um passivo de mais de 30 milhões de euros e publicou na semana passada a sua última edição em papel, mantendo a marca ativa apenas na edição online e no canal de televisão ETV –, Ricciardi assume ter "pena dos belíssimos profissionais que o jornal tem, ou tinha". Mas acha pouco provável que ainda surja alguma solução para o projeto nos seus moldes atuais.

“​Se o mandato tivesse sido concedido antes, teríamos conseguido salvar o 'Diário Económico'. Agora acho muito difícil. Porque as dívidas acumuladas são muito grandes, tanto aos trabalhadores como à segurança social e ao Estado. Não é impossível, mas é muito difícil", defende, numa entrevista em que assume que a Ongoing era um braço armado do BES e que não ficou surpreendido com o colapso da empresa liderada por Nuno Vasconcellos e Rafael Mora. "Surpreendeu-me é o tempo que demorou", diz na entrevista.

  • Salvaguardando as costumeiras exceções, a mais notável das quais foi de Paulo Ferreira, a classe jornalística e afim lamentou-se, como habitualmente, pelo encerramento de mais um jornal: o ‘Diário Económico’ na sua edição em papel. Sinais da crise, disseram. Em parte têm razão – há sinais de crise por toda a Imprensa (e dispensem-me o pleonasmo imprensa escrita, pois toda a imprensa é escrita). Mas, se me permitirem eu discordo num ponto: o ‘Diário Económico’ não morreu de morte natural nem devido às tecnologias. O ‘DE’ que alguns distintos jornalistas (entre os quais Nicolau Santos) fundaram, foi assassinado