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Isabel dos Santos no BCP? É ver para crer

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Ações do BCP chegaram a subir 4,9% mas acabaram por fechar em queda. Analistas lembram que primeiro há que fechar o dossiê BPI e aguardam por mais dados concretos

As ações do BCP fecharam a perder 0,89%, depois de terem chegado a valorizar 4,9%, com os investidores a aguardar por mais dados concretos sobre uma eventual entrada de Isabel dos Santos no capital do maior banco privado português.

O BCP reagiu com uma subida em Bolsa esta segunda-feira na abertura a beneficiar da notícia do Expresso de que o primeiro-ministro, António Costa, deu luz verde à empresária angolana para entrar no BCP.

"As ações do BCP têm subido muito e hoje penso que os investidores aproveitaram para uma tomada de mais-valias e vão esperar até que haja dados mais concretos sobre a eventual entrada de Isabel dos Santos como acionista", diz Albino Oliveira, analista da Patris.

O BCP fechou nos 0,0444 euros enquanto o BPI subiu 2,87% para 1,325 euros. O índice PSI-20 fechou a subir 0,33%.

Os analistas e operadores minimizam o eventual impacto nas ações do BCP de notícias relacionadas com a Polónia. Segundo a agência de ratings Moody's, a conversão de empréstimos à habitação em francos suíços para a moeda local poderá ter um impato negativo significativo nos bancos, caso seja implementada a medida tal como está desenhada.

"A questão já era esperada há muito pelos investidores", afirma Albino Oliveira.

Desde o mínimo deste ano, a 24 de fevereiro, o BCP soma mais de 36% em Bolsa. No mesmo período, o índice STOXX Europe para o sector ganha 8%.

Isabel dos Santos e o espanhol CaixaBank, acionistas do BPI, estão a tentar selar um acordo para eliminar a exposição deste banco a Angola, por imposição da regulação. A empresária é vista a reforçar a sua posição no banco do BPI em Angola, o BFA. E, como troca deste acordo, teria então a luz verde para ser acionista de um outro banco em Portugal. Os acionistas do BPI têm até 10 de abril para fechar um acordo.

A haver um negócio, ficam as dúvidas se a entrada de Isabel dos Santos seria feita com injeção de capital fresco no BCP via aumento de capital. Ou se ficaria apenas com a totalidade ou uma parte da posição da angolana Sonangol no BCP.

Por outro lado, têm dúvidas sobre a capacidade de Isabel dos Santos, filha do presidente de Angola, de reforçar no BFA e depois fazer um investimento adicional no BCP. Angola enfrenta uma crise profunda provocada pela queda abrupta dos preços do petróleo, dado que são as receitas do 'ouro negro' que alimentam a economia angolana.

"Mas se se vier a confirmar a entrada de Isabel dos Santos, o BCP poderá ter espaço para valorizar em Bolsa", afirma Pedro Oliveira, operador da GoBulling.

A melhoria da perceção de risco do BCP é também evidente depois de ter estado em níveis elevados entre o fim de 2015 e o mês de fevereiro. Também a cotação das obrigações do banco recuperaram. Uma das emissões, com maturidade em 2017, regista uma recuperação da cotação para acima do ‘par’ (100%), depois de em fevereiro terem estado na casa dos 95%.

Os bancos europeus, sobretudo os da periferia, têm beneficiado com a política de estímulos do Banco Central Europeu, que cortou taxas de juro e aumentou em volume e alargou o seu programa de compras de ativos.

Segundo Maria Rivas, vice-presidente do grupo de instituições financeiras da agência de ratings DBRS, "até hoje, estes rumores/especulação não estão a afetar a capacidade do BCP para fazer face às suas responsabilidades".