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Irão. Transportes, energia e comércio vão crescer com abertura internacional

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Abrandamento do comércio global e dependência das exportações de petróleo deverão atrasar, mesmo assim, os ganhos expectáveis da abertura internacional do Irão, prevê a Coface

André Rosa

Os sectores dos transportes, alojamento e desenvolvimento urbano são os que mais devem impulsionar a recuperação económica do Irão, ao fim de cinco anos de sanções internacionais, aponta a empresa de seguros de crédito Coface em mais um relatório trimestral de avaliação de risco-país elaborado sobre o Irão.

"O levantamento das sanções, seguido do acordo P5+1 [grupo que inclui os EUA, China, França, Reino Unido e Rússia, mais a Alemanha], terá um efeito significativo no aumento de produção no Irão, o que irá reavivar a economia iraniana, particularmente através da recuperação do investimento e comércio internacionais", afirma o documento.

O Irão, com quase 80 milhões de habitantes, é a segunda maior economia da região Médio Oriente e Norte de África, com um PIB de cerca de 386 mil milhões de euros estimado, em 2014, pelo Banco Mundial. Em virtude do novo ciclo económico, depois de dois anos de recessão, a Coface espera um crescimento real do PIB de 3,8% para este ano, em linha com a previsão do Fundo Monetário Internacional: entre os 4% e os 5,5% para os próximos dois anos.

Oportunidades e desafios

"O país tem oportunidades [de crescimento] em quase todos os setores", diz Seltem Lyigun, economista da Coface para a região Médio Oriente, Norte de África e Turquia. Sobretudo ao nível da energia, cuja prioridade é recuperar a quota de mercado com as exportações, apostando na Ásia e depois na Europa.

A avaliação da Coface destaca que o petróleo poderá receber elevados investimentos, com os quais o país poderá atingir a produção de 4 milhões de barris de crude diários - que em 2015 foi de 2,8 barris por dia, segundo a Agência Internacional Energética.

Ainda assim, segundo prevê o relatório, "a melhoria das infraestruturas será dispendiosa" e a entrada do país no mercado global, atualmente em contexto de declínio, poderá acentuar o desequilíbrio entre a oferta e a procura.

O levantamento das sanções deverá acelerar, também, o desempenho da indústria automóvel, que no Irão representa mais de 10% do PIB. O economista Seltem Lyigun explica que "a chegada de novas marcas poderá tornar difícil a continuidade do negócio para as indústrias já existentes", referindo a possibilidade de as vendas de chineses no Irão serem afetadas se os carros europeus forem melhores e mais baratos.

No sector dos transportes, o país assinou recentemente contratos com a Airbus, de compra de 118 aviões por 23 mil milhões de euros, e com a Peugeot, de 400 milhões de euros, para produzir novos modelos nas instalações da fabricante local.

A Coface destaca, contudo, que a dependência das exportações petrolíferas e "a lentidão do comércio global e os tumultos regionais irão provavelmente atrasar os impactos positivos iniciais da retirada das sanções e da redução dos custos do comércio" no Irão.