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“CGD, Montepio e Caixa Agrícola são os grandes concorrentes do Banco CTT”

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Francisco Lacerda, Presidente dos CTT

Luis Barra

“Não é todos os dias que nasce um banco”, diz, satisfeito, o presidente dos CTT, na véspera de lançar o banco postal, um projeto adiado há décadas. Arrancou sexta-feira com presença em 52 lojas. Para Francisco Lacerda, ex-vice-presidente do BCP, é um regresso ao seu elemento natural. O Banco CTT é uma operação low cost, não cobra comissões de manutenção, nem anuidade no cartão multibanco. As taxas de juro ficam nos 0,5%. Consolidação? Um dia, quem sabe. Corrida ao Novo Banco está fora de questão.

O Banco CTT nasce num dos piores momentos de sempre da banca, não só como negócio mas também reputacional. É uma ousadia?

É sempre uma ousadia avançar com um banco. Mas temos boas razões para o fazer. A nossa proposta vai preencher uma oportunidade de mercado e vai de encontro à necessidade das muitas pessoas que querem sair de uma relação bancária onde os custos são cada vez maiores. Quando há maior concentração de mercado, há espaço para certas atividades que de outra maneira seriam mais difíceis. A oferta dos CTT é simples, de pequeno comissionamento e principalmente muito transparente. Vamos atrair um conjunto significativo de clientes que se encaixam nesse segmento. Há também os aspetos positivos de proximidade dos CTT às populações e da força da marca.

E que segmento é esse?

O nosso alvo, como banco de retalho, estará mais virado para os segmentos com menor rendimento e os centros urbanos menos desenvolvidos, mas não quero que sejam só esses. Vamos ter clientes em todos os segmentos e em todas as geografias. Está nos nossos planos uma oferta móvel para os clientes mais novos.

Serão um banco low cost?


É um banco que funciona em cima de uma rede de balcões que já existe nos Correios, o que permitirá ter uma posição competitiva interessante e oferecer serviços de modo rentável. Não estou com isto a dizer que vamos ter um custo à cabeça mais baixo do que outros bancos. Mas à medida que vamos crescendo o efeito de escala é maior.

O que esperar do Banco CTT?

Abriu na sexta-feira em 52 localizações, é a maior abertura de um banco de retalho num só dia em Portugal. Será bastante ligeiro e otimizado o processo de abertura de conta. Podem fazer-se todos os movimentos normais: transferências, dar ordem de débito direto, fazer domiciliação dos pagamentos, depósitos a prazo. Recebe-se um cartão de débito e de crédito. Existem todos os produtos básicos de uma relação bancária, nomeadamente o crédito ao consumo, feito no âmbito da parceria com a Cetelem. Iremos ter produtos de poupança e de seguros, que serão vendidos aos balcões CTT como os produtos de certificados de aforro. No arranque teremos uma conta à ordem sem comissões de manutenção. Zero comissões na anuidade do cartão multibanco e nas transferências realizadas através de canais digitais. Haverá um home banking na internet.


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