Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Ratings: O que a S&P pode dizer hoje de Portugal

  • 333

É a última agência de ratings a pronunciar-se sobre Portugal antes da decisiva avaliação da DBRS no final de abril. A Standard & Poor's deverá hoje dar o seu veredicto sobre o país. Pode descer a perspetiva para negativa

A Standard & Poor's deverá hoje pronunciar-se sobre Portugal, podendo baixar a perspetiva do país para negativa, sendo a última agência de ratings a fazê-lo antes de uma avaliação decisiva da DBRS no final de abril.

A canadiana DBRS é a única agência que mantém Portugal com um rating acima do nível de lixo permitindo que o país tenha acesso ao programa de compras do Banco Central Europeu e os bancos acedam a financiamento do banco central.

Alguns analistas antecipam que a S&P, que tem um rating para Portugal de BB+, desça a perspetiva para o país de estável para negativa.

Há duas semanas, a Fitch baixou a perspetiva de Portugal para estável.

"A S&P pode ter ainda mais razão para considerar um olhar mais severo do que a Fitch sobre a solvabilidade de Portugal devido ao timing das notícias de que a dívida soberana ter sido atingida por 1.500 milhões de euros de derivados efetuados por empresas estatais", refere o Commerzbank numa análise. Mas considera improvável que a S&P baixe mais o rating do país.

"Qual ação deverá levar o mercado a ajustar à probabilidade de uma descida de rating na avaliação crucial da DBRS a 29 de abril", frisa.

A taxa de juro da dívida soberana portuguesa a 10 anos segue a recuperar para os 2,855% (13H40), segundo dados da Bloomberg.

Perante a perspetiva de possíveis notícias negativas da S&P, o Commerzbank acredita que o IGCP não deverá anunciar hoje qualquer leilão de obrigações para a próxima quarta-feira.

Outros analistas e gestores de ativos desvalorizam o impacto de eventuais decisões de agências de rating sobre Portugal. Até porque as compras de dívida por parte do banco Central Europeu no mercado mantêm baixo o custo de financiamento de países como Portugal. E o BCE acaba de anunciar, na semana passada, o alargamento do seu programa de compras.

"Se a DBRS não baixou o rating de Portugal até hoje não é agora que o vai fazer", diz Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa.

"Existe um comprador no mercado, que é o BCE, e que pode comprar mais dívida do que a que existe", adianta.

Porque, sem o BCE, na realidade Portugal é sobretudo um país com grandes desafios nomeadamente uma dívida pública muito elevada (perto de 130% do Produto Interno Bruto) e um fraco crescimento económico.

(Notícia atualizada às 14H30)