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Montepio agrava prejuízos para 243,4 milhões

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A Caixa Económica Montepio Geral obteve prejuízos de 243,4 milhões de euros em 2015, acima dos cerca de 187 milhões de euros de perdas em 2014, divulgou hoje a instituição liderada por José Félix Morgado

O banco justifica, em comunicado, este agravamento dos prejuízos, face a 2014, por ter feito menos resultados com as operações financeiras (138,7 milhões de 2015, abaixo dos 352,2 milhões de 2014 com), sobretudo devido às menores mais-valias com a dívida pública, depois de em 2014 terem sido vendidos muitos desses títulos.
Ainda em 2015, a margem financeiro do Montepio foi de 227,4 milhões de euros, abaixo dos 336,5 milhões de euros de 2014, e o rendimento de serviços e comissões ficou praticamente estabilizado (-0,5%) para 135,1 milhões de euros.
Quanto ao produto bancário, este diminuiu 42% para 454,9 milhões de euros.
O ano passado, o Montepio reduziu as imparidades para crédito em 50%. No entanto, essas ainda representaram 258,4 milhões de euros, o que pesou nos resultados da instituição financeira.
O banco referiu que a qualidade do crédito tem vindo a ser penalizada por aquilo que chama o Top 20, ou seja, os 20 clientes a que o banco tem maior exposição.
"Consequentemente, a evolução do Top 20 de crédito em risco, conjugada com a situação económica ainda difícil das famílias e empresas, penalizou a evolução do rácio de crédito em risco que se fixou em 14,3%, enquanto o crédito vencido há mais de 90 dias se fixou em 7,76%", lê-se nas contas de 2015 hoje divulgadas na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
O banco salientou, no entanto, que a cobertura do crédito em risco é de 56,1% (abaixo dos 69,4% de 2014), acrescentando que esse rácio sobe para 126,9% se forem consideradas garantias hipotecárias. Além disso, divulgou, houve uma "significativa redução das entradas de crédito em incumprimento", de -17,3%.
Quanto à concessão de crédito, em 2015, este desceu 4% para 15.944 milhões de euros, com o banco a justificar com a contração dos empréstimos para compra de habitação, para construção e mesmo ao setor social. Já o crédito a empresas excluindo construção caiu mais ligeiramente, 1%.
Quanto aos depósitos de clientes, esses diminuíram 9% entre 2014 e 2015 para 12,956 milhões de euros. Ainda assim, no último trimestre do ano os depósitos aumentaram 3,3% face ao período anterior.
O Montepio fechou 2015 com um rácio de capital CET (medida de avaliação da solidez) de 8,81%, acima do mínimo exigido para a instituição, que o banco diz ter conseguido recorrendo sobretudo à redução de ativos ponderados pelo risco.
O ano passado foi ainda o primeiro desde 2012 em que houve saldo positivo no programa do Montepio de desalavancagem de ativos imobiliários, tendo sido vendidos imóveis mais do que aqueles que entraram.
Quanto às perspetivas para 2016, o presidente do Montepio, Félix Morgado, disse em declarações à Lusa que espera uma melhoria de resultados e mesmo lucro "em alguns trimestres", mas não se comprometeu a fechar este ano com resultados positivos na atividade consolidada.
"A perspetiva que existe é de melhoria dos resultados, que depende também da evolução da economia. O nosso compromisso é que, no final de 2016, teremos resultados bastantes melhores do que em 2015", afirmou.