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Sonae declara o seu estado: “Em guerra” e com dinheiro

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LUCILIA MONTEIRO

Nas telecomunicações, Paulo Azevedo aponta “métodos menos habituais” a um concorrente

"Estamos em guerra". A frase é de Paulo Azevedo, presidente da Sonae SGPS, e foi repetida várias vezes ao longo da conferência de imprensa de apresentação de resultados do grupo com a convicção de que este é um estado de que a sua equipa gosta.

"É uma guerra de que gostamos, sobretudo porque a lideramos", referiu o gestor relativamente à Sonae MC e ao quadro competitivo em que tem de desenvolver novos formatos "mais convenientes" e "mais próximos dos clientes", ao mesmo tempo que demonstra ser "quem tem realmente os preços mais baixos do mercado".

Sobre o significado concreto deste "estado de guerra", Paulo Azevedo explicou, depois, que em quase todos os mercados onde atua tem "players fortíssimos e há uma luta grande pela liderança" por isso a Sonae "está em guerra com qualquer um que tente ameaçar essa liderança", apontando diretamente como exemplos o retalho, mas, também as telecomunicações, sector onde admitiu "uma situação aguerrida com um concorrente com métodos pouco habituais".

A crítica direta à Altice, sem referir o nome do visado, mereceu uma comparação histórica com o que aconteceu no passado com a Portugal Telecom, mas evitando novamente a referência direta.

"Voltamos a uma situação em que temos um concorrente que diz o oposto do que faz. Já nos aconteceu há uns anos atrás, quando havia um player que lutava para ser monopolista e dizia ser grande defensor da concorrência. Agora, temos, também, uma situação um bocadinho caricata: um player que luta para ganhar conteúdos importantes e exclusivos e não os abrir à concorrência e diz exatamente o contrário", afirmou.

"Isto vai ser uma guerra engraçada. Felizmente a primeira ronda de ataque de conteúdos exclusivos feita por esse concorrente, nós ganhamos com destaque", acrescentou.

Sobre 2016, o presidente da Sonae encara o cenário macroeconómico como "relativamente benigno", apesar de não estar "inconsciente dos riscos geopolíticos que estão a aparecer", designadamente no Brasil e na Europa.

Num "mundo volátil", a Sonae trabalha com "alguns cenários de contingência", mas o tom geral é de otimismo, com referências à recuperação do consumo privado na Península Ibérica, designadamente em Espanha, apesar de "estar a contar, naturalmente, com condições muito difíceis no Brasil".

Quanto a Portugal, a reversão da austeridade "tem o seu quê de luta partidária", mas "não vemos o consumo com comportamentos muito diferentes do que estávamos a ver, nem com as taxas de crescimento de Espanha", acrescentou.

Depois de anos "com pouco dinheiro", a estudar oportunidades de crescimento dos vários negócios, a Sonae SGPS sente estar agora "com maior capacidade de investir" e "tem dinheiro para avançar", por isso, em 2016, será evidente "um maior crescimento" e poderá haver algumas aquisições."É natural que o nosso investimento suba substancialmente" e "a ambição de investimento é grande", disse o gestor que criou 600 novos postos de trabalho no ano passado.

Umas das áreas onde é possível esperar novidades, a par da internacionalização, é na Sonae IM e nas tecnologias "amigas do negócio do retalho". "Estudamos centenas de dossiers e algumas dezenas ainda estão vivos e esperamos que possam sair daqui investimentos", precisou Paulo Azevedo, que teve o pai, Belmiro de Azevedo, a assistir à apresentação das contas do grupo, na primeira fila do auditório, ao lado da irmã Cláudia e do sobrinho Guilherme.

Sobre as tensões vividas em sectores como os da suinicultura e do leite à volta da guerra dos preços, o co-presidente executivo da Sonae SGPS, Ângelo Paupério limitou-se a reiterar o objetivo do grupo em ser eficiente e conseguir cumprir essa meta "com atenção particular a todas as regras de boas práticas em relação a todos os agentes do mercado". Admitiu, no entanto, que isto tem de ser compatível com a ambição de "sermos os mais competitivos pela nossa própria estrutura de custos, cada vez mais otimizada, e ter cada vez mais os melhores fornecedores e condições para ganhar esta competição no mercado".

"Sempre estivemos do lado de encontrar soluções e compromissos que pudessem ser mais interessantes para toda a fileira sem prejudicar os clientes", acrescentou.

Umas das áreas onde é possível os consumidores esperarem novidades da Sonae este ano é a alimentação orgânica. "Portugal está um bocadinho atrás do mercado europeu nesta área e nós preparamo-nos para liderar", precisou Paulo Azevedo