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Fusão entre bolsas de Londres e Frankfurt está dependente de Bruxelas

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LEON NEAL / AFP / Getty Images

Autoridades europeias de defesa da concorrência ainda estão a avaliar o négocio que criará uma operadora bolsista gigante, com uma capitalização a rondar os 27 mil milhões de euros

Se tiver luz verde de Bruxelas, a fusão entre a London Stock Exchange (LME) e a Deutsche Börse criará a maior operadora bolsista mundial em receitas, e a segunda maior em termos de capitalização bolsista, valendo mais de 30 mil milhões de dólares (cerca de 27 mil milhões de euros) – ficando apenas atrás do CME Group, de Chicago (com uma capitalização de perto de 32,7 mil milhões de dólares, quase 30 mil milhões de euros). Contudo, ainda não é certo que as autoridades europeias de defesa da concorrência autorizem o negócio, anunciado esta quarta-feira. Ainda no ano passado, foi chumbada uma operação idêntica entre a Euronext de Londres, dona da LSE, e a Deutsche Börse, que detém a praça de Frankfurt.

A concretizar-se, este será o maior negócio entre plataformas bolsistas desde que a Interncontinental Exchange comprou, em 2013, a NYSE Euronext. Mas ainda não é certo que avance: já em 2012, como lembra a edição desta quinta-feira do "Diário Económico, Bruxelas bloqueou a compra da Euronext pela Deutsche Börse.

As duas partes esperam sinergias de 450 milhões de euros por ano.

Desde o final de fevereiro que as negociações entre as duas operadoras eram conhecidas. Não é a primeira vez que se sentam à mesa para negociar: em 2000 e 2005, a dona da Bolsa de Frankfurt já tinha tentado adquirir a concorrente londrina.

Além de Bruxelas, também os acionistas das duas operadoras terão de autorizar a operação. O cenário, no entanto, ainda não está totalmente concretizado, uma vez que o panorama das bolsas mundiais está sensível e sujeito a grandes forças, sendo possível que o CME Group também avance com uma oferta rival. Aliás, nos dias anteriores ao anúncio feito pela LSE, fontes diversas afirmaram que a Euronext, a par da fusão com Frankfurt, não descarta outras formas de ganhar escala, incluindo parcerias com outras bolsas europeias.

No comunicado divulgado pela LSE que dá conta da operação, lê-se que se trata de um acordo estruturado em ações, estando previsto que os acionistas da LSE recebam 45,6% dos títulos do grupo combinado e os investidores da alemã fiquem com 54,4%.

Em virtude dos planos de fusão, as duas partes conservarão as sedes em Londres e Frankfurt, Alemanha, mas também se cotarão nas bolsas daquelas duas cidades europeias.

As duas bolsas indicaram que esta fusão permitirá unir duas cidades importantes, designadamente Londres, como um dos mais destacados centros financeiros do mundo, e Frankfurt, sede do banco Central Europeu (BCE), com acesso à maior economia da Europa.

Ao estruturar-se só em ações, os acionistas da LSE vão receber 0,4421 novos títulos por cada um dos seus e os da Deutsche Börse obterão uma ação por cada uma das suas.

O grupo terá um conselho de administração unitário composto por um número equitativo de representantes de ambas empresas.

O presidente da LSE, Donald Brydon, será o presidente do negócio combinado, enquanto o presidente do conselho supervisor da Deutsche Börse, Joachim Faber, será o vice-presidente.

A Deutsche Börse e London Stock Exchange Group (LSEG) estão convictos de que a fusão constitui "uma oportunidade convincente para as duas partes se fortalecerem mutuamente com esta transação e de criar um oferente europeu líder para uma infraestrutura de mercados global", sublinha o comunicado.

A união da LSE, fundada em 1801, e da Deutsche Börse, criada em 1992, deve ser aprovada pelas autoridades europeias de defesa da concorrência e pelos acionistas das duas empresas.

A Deutsche Börse tinha como prazo até 22 de março para concretizar se queria ou não intenção de aceitar a oferta da Bolsa de Londres.