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Estado emite dívida mas deixa de ter juros negativos

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Portugal emitiu 443 milhões de euros de Bilhetes do Tesouro, a seis meses, e 1285 milhões, a 12 meses, pagando taxas de juro de 0,009% e 0,05%, respetivamente

O Estado português realizou hoje duas emissões de Bilhetes do Tesouro (BT) a seis e a 12 meses, tendo colocado 443 milhões de euros e 1285 milhões, nas respetivas maturidades.

A taxa de juro negociada foi de 0,009% para a emissão a seis meses (que compara com a taxa negativa de 0,013% da emissão de igual maturidade realizada em janeiro). Para aos BT a 12 meses a taxa ficou em 0,05%, contra os 0,1 da emissão idêntica realizada no passado mês de fevereiro.

Ou seja, enquanto nos 12 meses "o custo da nossa dívida baixou ligeiramente, nos seis meses subiu também muito pouco. Mas o essencial é que Portugal continua a conseguir emitir a taxas quase de zero e com níveis de procura muito razoáveis", nota Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa.

O mesmo responsável refere que "sempre que a República Portuguesa consiga fazer o rollover da dívida a taxas muito baixas é sempre de saudar. Emitir a taxas próximas de zero, para um país que tem problemas estruturais na sua economia é de aproveitar".

Só assim se compreende, segundo Filipe Silva, que o montante de dívida emitida até tenha sido superior ao previsto. Foram recolhidos um total de 1728 milhões de euros, quando o objetivo variava entre os 1250 e os 1500 milhões.

"Continuamos, é certo, a beneficiar da proteção do BCE quer agora, além de comprar divida soberana, passou a comprar também dívida de empresas não bancárias", conclui Filipe Silva.

Para Pedro Ricardo Santos, gestor da XTB Portugal, "o comportamento recente das yields da dívida nacional espelhavam já as decisões recentes do Banco Central Europeu. A receita mantém-se: mais facilitismo traduz-se na queda das yields e, por consequência, na subida do preço das obrigações. Além disso, ao fixar a taxa de depósitos em -0,4%, Mario Draghi alargou o espectro de obrigações passíveis de compras pela instituição europeia, provocando em antecipação uma subida dos respectivos preços. O governo português consegue assim, mais uma vez, fazer o roll-over da sua dívida com custos em juros mais baixos".