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Angolanos da Unitel dão “luz verde” ao acordo no BPI

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FOTO NUNO BOTELHO

Angolanos da Unitel já deram o “sim” ao acordo entre Isabel dos Santos e o La Caixa no BPI

A angolana Unitel, detentora de 49,9% do Banco de Fomento Angola, já deu “luz verde” ao acordo entre Isabel dos Santos e o grupo espanhol La Caixa no BPI, sabe o Expresso. Os contornos do negócio foram discutidos na terça-feira em Luanda no conselho de administração da Unitel, operadora móvel angolana presidida por Isabel dos Santos. E tiveram a aprovação da empresa angolana, o segundo maior acionista do BFA.

As negociações para encontrar uma solução para a redução da exposição do BPI no Banco de Fomento Angola, imposta pelo Banco Central Europeu, arrastavam-se, recorde-se, há mais de um ano e estavam criar tensão entre os principais acionistas do banco português. O nó está à beira de ser desfeito, como noticiou ontem o Expresso Diário. A solução passa pela compra da posição de 18,6% de Isabel dos Santos no BPI pelo La Caixa, e a venda à empresária angola da posição de controlo do banco português (51,1%) no BFA. O essencial do acordo já está desenhado e o preço, o ponto mais sensível, já está definido. A Unitel tinha já proposto comprar 10% do capital do BFA, por 140 milhões de euros. Era uma forma de resolver o problema levantado por Frankfurt. Mas a administração liderada por Fernando Ulrich recusou. Teve de avançar-se para o plano B. E o tempo estava a contar: o BCE impõe uma solução até ao dia 10 de abril, caso contrário seria aplicada uma coima de até 162 mil euros por dia.

Fonte ligada a Isabel dos Santos afirmava no entanto, ao final do dia de terça-feira, que as conversações continuavam e o acordo não estava selado. Esta quarta-feira o La Caixa veio também afirmar em comunicado que o acordo não está concluído. Como o Expresso Diário noticiou, o desfecho está negociado mas depende formalmente de aprovações dos órgãos sociais das respetivas empresas.

Perante este desenlace, as ações do BPI dispararam durante o dia na Bolsa de Lisboa, e fecharam hoje a valer 1,266 euros, um ganho de 3,86%. Chegaram a valorizar mais de 6% e a atingir o valor mais alto dos últimos nove meses. A valorização das ações está em parte relacionada com a expectativa de o grupo catalão poder vir a lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) depois de adquirir a participação de Isabel dos Santos. Analistas da Haitong (antigo BESI) admitem que o preço máximo que será oferecido pelo grupo La Caixa a Isabel dos Santos será 1,329 euros por ação. O preço que o La Caixa irá pagar a Isabel dos Santos poderá já estar fechado. Mas não é ainda público.

O La Caixa tem 44,1% do BPI e já tinha dito que não investia mais em Portugal se não houvesse uma desblindagem dos estatutos do banco. O grupo catalão é um dos candidatos à compra do Novo Banco. E o desfecho das negociações com Isabel dos Santos irão ser determinantes para o futuro do antigo BES.

  • La Caixa e Isabel dos Santos chegam a acordo no BPI

    Grupo espanhol e empresária angolana já têm acordo praticamente fechado para repartir controlo do BPI. Tudo depende ainda de aprovações das respetivas assembleias gerais mas desblindagem de estatutos já não é necessária para que o BPI fique espanhol e o BFA angolano