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Transportadoras de mercadorias pedem demissão do ministro da Economia

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Sector prepara uma marcha lenta antes do fim de semana da Páscoa

António Pedro Ferreira

Associações do sector dizem que já sofreram aumentos de 11 cêntimos e o Governo ainda não pagou qualquer compensação prometida. Sector prepara protestos, com uma marcha lenta antes do fim de semana da Páscoa

"O descontentamento do sector dos transportes rodoviários de mercadorias não podia ser pior com o ministro da Economia, Caldeira Cabral, que nunca nos deu resposta a um pedido de reunião formal e não resolveu o problema dos aumentos do gasóleo que inviabilizam a atividade a 24 mil veículos pesados", referiu ao Expresso, o presidente da Associação Nacional de Transportadoras Portuguesas (ANTP), Márcio Lopes, pedindo a "demissão imediata do ministro Caldeira Cabral".

"O ministro da Economia não podia ter feito as declarações que fez - a apelar ao abastecimento de combustíveis em Portugal na vespera de um novo aumento do preço do gasóleo - quando sabe que o Governo está em falta com as empresas que trabalham com 24 mil camiões, porque acordou que nos pagariam um cêntimo por cada quatro cêntimos de aumentos no produto bruto e acontece que já sofremos aumentos de 11 cêntimos e até à data não nos pagaram nada", acusa Márcio Lopes.

A posição da ANTP está a ser coordenada com a posição da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) "porque o sector das empresas rodoviárias de transportes de mercadorias é um só", refere Márcio Lopes, admitindo que o sector está a preparar uma ação de protesto.

"Estamos a preparar uma marcha lenta antes do fim de semana da Páscoa, que será realizada em dias úteis para não prejudicar a vida das pessoas na Páscoa, e contamos com uma grande adesão das empresas de transportes de mercadorias, porque o que o Governo nos está a fazer é matar-nos a todos, devagarinho", referiu ao Expresso o presidente da ANTRAM, Gustavo Paulo Duarte.

"O que o Governo está a fazer é beneficiar os nossos concorrentes espanhóis, que ficam com capacidade para arrasar o nosso mercado com preços que nós não conseguimos praticar, porque pagamos o gasóleo em Portugal a um preço que mata qualquer concorrência", refere Gustavo Duarte.

"Sabemos que a ação de protesto em marcha lenta - marcada para daqui a duas semanas - será marcante, porque o nosso nível de descontentamento é geral", garante o responsável da ANTRAM.

"Para conseguirmos ter um nível de concorrência que dê resposta às propostas de mercado das empresas transportadoras espanhola precisamos de comprar gasóleo ao mesmo preço dos espanhóis, e a diferença de custos em Portugal já vai na ordem dos 30 cêntimos por cada litro de gasóleo, ou seja, assim é impossível competirmos com as rodoviárias de Espanha", diz Márcio Lopes.

Contactada pelo Expresso, uma fonte do sector petrolífero internacional refere que "a deslocalização de abastecimentos portugueses para postos espanhóis está a ser muito superior ao que esperavam as empresas petrolíferas que operam nos dois mercados ibéricos".

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