Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

A oportunidade excecional da era digital. Sem esquecer as ameaças

  • 333

As conclusões do Global C-suite Study foram alvo de uma animada discussão entre seis responsáveis de diversas áreas

Tiago Miranda

O lançamento português do estudo global da IBM “Redefining Boundaries: Insights from the Global C-suite Study” serviu de mote para um debate sobre as consequências da digitalização e do aparecimento de novos concorrentes. Com a chancela Expresso

Manuel Caldeira Cabral não tem dúvidas: “A economia digital traz pelo menos tantas ameaças como oportunidades.” Dita logo no início do IBM C-Suite Fórum, a frase do ministro da Economia serviu de mote para a apresentação em Portugal de um estudo global da multinacional sobre as grandes tendências que marcam a economia mundial.

Com o apoio do Expresso, a sessão trouxe uma série de personalidades de diversas áreas ao Palácio Foz, em Lisboa, para conhecer e discutir as principais conclusões do trabalho.
Feito a partir de 5200 entrevistas (37 em Portugal), num total de 21 sectores em mais 70 países — tal como José Manuel Paraíso, diretor de Global Business Services da IBM Portugal explicou — o trabalho sustenta que o surgimento de novos competidores que fogem aos canais e métodos tradicionais é o fator que mais chama a atenção dos executivos.

É a chamada “uberização” (em honra da famosa startup de transportes) que, para 54% dos inquiridos, terá a maior influência no negócio das suas empresas nos próximos três a cinco anos. Para responder a este desafio, as capacidades cognitivas ganham destaque, enquanto 81% quer criar experiências mais digitais com os consumidores, por exemplo.

Oportunidade excecional
Motivos mais que suficientes para a animada conversa que se deu no Momento Expresso, em que seis responsáveis executivos colocaram em confronto os seus pontos de vista, sob a batuta moderadora de Ricardo Costa, diretor-geral de informação do grupo Impresa.

Para Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, o mais importante é fomentar uma “cultura aberta à inovação” que tem permitido à capital manter “uma concentração do Portugal moderno que hoje já está a dar frutos. Uma opinião sustentada por Vera Pinto Pereira, diretora-geral da International Fox Channels Ibéria ao defender que é necessário perceber “quais são as grandes causas que movem a sociedade” numa altura em que “as regras do jogo mudaram completamente.”

Eduardo Stock da Cunha, presidente do Novo Banco, acredita que o “aparecimento de novos atores obriga a um ajustamento”, enquanto para Francisco Pedro Balsemão, CEO do grupo Impresa, deve haver “mais parcerias e joint ventures.” Opções que devem ser vistas como “uma oportunidade excecional”, segundo Salvador de Mello, presidente da José de Mello Saúde .
António Raposo Lima, presidente da IBM Portugal, constatou que é “inevitável a aposta nas funções cognitivas” para que a economia “se movimente para novas áreas de valor e disrupção.”

Estratégia central
Preocupações que o ministro da Economia já tinha referido no discurso de arranque. “No caso português” existem muitas PME que “podem beneficiar muito destes novos canais”, para enfrentarem com mais capacidade “os grandes líderes do mercado”.

A digitalização é vista por isso como uma “estratégia central” pelo Governo. Medidas como a implementação de Wi-Fi gratuita nas cidades e a criação da Startup Portugal – sem esquecer a vinda da Web Summit que trará “50 a 60 mil empreendedores e centenas de grandes investidores” – são sintomáticas deste compromisso.