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Pelcor abre capital a investidor angolano

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Rui Tati é o novo sócio de Sandra Correia, que mantém a maioria do capital da empresa

Sandra Correia fundou, em 2003, a Pelcor: “Espero finalmente alcançar o break-even em 2016”

Sandra Correia fundou, em 2003, a Pelcor: “Espero finalmente alcançar o break-even em 2016”

Nuno Fox

A Pelcor, marca de acessórios de cortiça, deixou de ser 100% portuguesa. Sandra Correia, fundadora e empreendedora premiada lá fora, mantém-se como acionista maioritária, com 60% do capital da empresa, mas gere agora a insígnia lado a lado com o empresário angolano Rui Tati. “Foi um processo de maturação. Há um ano e meio que tinha tomado a decisão de procurar investidores. De outra forma, era muito difícil internacionalizar a marca. É um investimento superior àquele que a empresa podia fazer ”, conta a empresária.

A entrada do novo sócio obrigou à reestruturação interna da empresa, que reduziu a equipa de 13 para 11 pessoas, tendo Eduarda Abbondanza, diretora da ModaLisboa, abandonado a liderança do gabinete de design. E colaboradores que trabalhavam no Algarve, de onde a marca é originária, deslocaram-se para Lisboa.

Desde novembro que a Pelcor está presente no Soho, em Nova Iorque, na loja multimarca Public Factory. Mas o objetivo, até 2017, é inaugurar uma loja-bandeira no mesmo bairro. “A entrada do Rui no capital da Pelcor potencia este plano estratégico a dois anos, período em que pretendemos duplicar as vendas”, explica Sandra Correia. No ano passado, a insígnia “faturou cerca de €500 mil euros”, quando ainda pertencia à sociedade Nova Cortiça, da família Correia. A fábrica, localizada em São Brás de Alportel e especializada na produção de discos de cortiça natural para rolhas de champanhe, tem faturado, nos últimos anos, acima dos €5 milhões. Em 2014, os resultados líquidos fixaram-se nos €118 mil e, no ano passado, voltaram a “ser positivos”.

€1 milhão em 2017

Em janeiro deste ano, a Pelcor passou para a nova empresa My Own Label, cujos gerentes são Sandra Correia e Rui Tati. “Por enquanto ainda não somos uma marca lucrativa”, avança a fundadora da Pelcor, nascida em 2003, que espera atingir, “finalmente”, no final deste ano, o break-even. “Em 2017, queremos faturar €1 milhão.”

Em abril, as portas da atual loja da Pelcor em Lisboa, numa recatada rua perto da Sé, vão fechar. Mas outras se abrirão, numa localização mais central e movimentada, no Príncipe Real. Por essa altura, com um parceiro local, a insígnia entrará num país asiático, que, por motivos estratégicos, Sandra Correia diz ainda “não poder nomear”. A presença online será também reforçada, já que este canal de vendas vale 20% do negócio e “precisa de crescer”. Para depois de 2017 ficará a ambicionada entrada no mercado do Dubai e a abertura de uma loja em Los Angeles: os EUA já representam 80% das vendas pela internet e 40% são clientes californianos. Em 2016, a Pelcor vai investir €400 mil.

No início do mês, Sandra Correia foi eleita uma das 101 empreendedoras mundiais que mais se destacam pela revista americana “Enterprising Women”. Em 2014, já tinha sido convidada por Barack Obama para participar num programa de empreendedorismo e inovação. “Sempre estive muito ligada aos Estados Unidos, onde a entrada de investidores numa empresa é uma coisa normal. Este smart money também traz conhecimento. Mas em Portugal, existem muitos preconceitos”, afirma. Anteriormente, já tinha reunido com investidores norte-americanos: “Fica para uma segunda fase”, diz.

“O Rui Tati está muito presente na gestão da Pelcor. Retirou-me o peso da solidão nas decisões. Eu tenho uma visão mais global, traço os objetivos e os sonhos. Ele tem os pés na terra, é mais pausado e tem muita experiência”, conta. “Conheci-o por acaso, no Algarve. Ele gostava muito da marca e do conceito e eu muito da energia dele. Começou o namoro e acabou por dar em casamento.”