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“Encontrei créditos que nunca teria concedido”

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Eduardo Stock da Cunha na sala onde antes Ricardo Salgado dava entrevistas, no edifício-sede da Avenida da Liberdade, em Lisboa: o passado continua a ensombrar o presente do Novo Banco

Nuno Botelho

Após ter registado €980,6 milhões de prejuízos em 2015 e ter procedido a uma limpeza, com a criação de um side bank (entidade para a qual foram transferidos ativos não estratégicos, como imóveis, participações em empresas e créditos problemáticos), o Novo Banco avança para um segundo processo de venda que se espera estar concluído até ao verão

Eduardo Stock da Cunha, que assumiu o cargo de presidente do Novo Banco em setembro de 2014, explica o desafio que encontrou pela frente e como espera convencer potenciais investidores a comprar o Novo Banco. Ao mesmo tempo, confessa a surpresa que teve ao encontrar operações de crédito cujos critérios não consegue compreender.

Quando aceitou o desafio de gerir o Novo Banco, em 2014, tinha noção do que ia encontrar?
Tinha noção de que a situação era bastante delicada, requeria grande esforço e dedicação de toda a gente, mas não sabia a dimensão dos problemas. Eram mais complexos do que eu pensava, situações que envolviam não só números mas também o estado psicológico dos nossos colaboradores. Fomos capazes em conjunto de transmitir ânimo primeiro para dentro e depois para fora.

Os funcionários acusavam o facto de alguns terem sido obrigados a enganar os clientes?
A frase é sua...

Estamos a perguntar-lhe se concorda.
O universo do banco vai muito além dos clientes que sabemos que tinham produtos em situação delicada. Este banco tem quase 2 milhões de clientes, e estamos a falar de uma realidade que afetava cerca de 21.500 clientes, 1,5% do total. Destas situações 75% estão resolvidas.

Quando chegou ao banco a missão que lhe foi confiada não era clara quanto à venda do banco. Teria feito diferente se tivesse sido mais claro o que se pretendia?
Julgo que não. Foi-nos atribuída uma missão de pôr o banco nos carris, acrescentar valor, fazê-lo sobreviver — era disso que se tratava no início.


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