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Como Lisboa se tornou o centro nevrálgico de Isabel dos Santos

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Isabel dos Santos e o marido, Sindika Dokolo

Rui Duarte Silva

A filha de José Eduardo dos Santos e o seu marido Sindika Dokolo gerem, a partir da capital portuguesa, um universo de mais de 40 sociedades-veículo com que controlam os seus negócios, em esquemas de cascata. Apesar de ser dona de parte da Galp desde 2007, isso nunca apareceu em qualquer informação oficial

Isabel dos Santos parece gostar de Lisboa. Palmeiras, luz, água em abundância, a mesma língua. Da varanda da suíte onde costuma ficar no Ritz, o emblemático hotel de cinco estrelas construído depois da II Guerra Mundial, veem-se as copas da Avenida da Liberdade, onde funciona o seu escritório, a poucos minutos de distância. É numa esquina junto ao renovado Teatro Tivoli que o seu núcleo duro ocupa dois pisos de um edifício oitocentista, por cima da única loja da Louis Vuitton em Portugal. Uma dezena de gestores e assessores gere os ativos no valor de milhares de milhões de euros que a mulher mais rica de África tem concentrados em participações de grandes empresas em Portugal e em Angola.


De acordo com dados recolhidos numa colaboração entre o Expresso e a ANCIR — African Network of Centers for Investigative Reporting, uma rede de centros de jornalismo de investigação com sede em África do Sul, Isabel dos Santos e o seu marido, Sindika Dokolo, detêm mais de 40 sociedades-veículo em várias jurisdições, geridas a partir do escritório de Lisboa e que controlam por sua vez participações em grandes empresas em Portugal e Angola, a par de negócios noutros países, como a Suíça ou a Nova Zelândia, sem que se perceba em alguns casos até onde se estendem os interesses da empresária. Mesmo nas situações de grandes empresas cotadas em Bolsa que são obrigadas a prestar informações sobre os seus acionistas de referência.

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