Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Agora é QE a sério, Draghi?

  • 333

Mario Draghi vai ter de se habituar a viver com uma inflação abaixo da meta de 2% até, pelo menos, 2018

Ralph Orlowski / Reuters

BCE avança com corte nos juros e alargamento do programa de compra de ativos

A expectativa era grande, os mercados já descontavam novas medidas mas, mesmo assim, Mario Draghi conseguiu surpreender com o novo pacote de medidas anunciado quinta-feira. O Banco Central Europeu (BCE) vai fazer mais ou menos o mesmo, mas com maior intensidade e algumas novidades. A taxa diretora baixou de 0,05% para 0%, a remuneração dos depósitos dos bancos no banco central tornou-se ainda mais negativa e o programa de compra de ativos (QE, de quantitative easing) vai ser alargado em dimensão (de €60 mil milhões para €80 mil milhões mensais) e em ativos elegíveis (incluirá dívida de empresas com classificação mínima de rating). Esta era a parte mais esperada e, apesar da dose, saiu dentro das apostas dos especialistas. Os mercados, no entanto, tiveram reações contraditórias. As bolsas europeias e os juros reagiram positivamente ao anúncio, inverteram até ao fecho de quinta-feira e ontem de manhã estavam novamente a recuperar. Os juros da dívida a 10 anos portuguesas seguiram esta tendência: caíram até 2,7% depois de conhecidas as medidas, fecharam em 3,05% e ontem recuavam para 2,9%.


A novidade principal é o lançamento de uma nova ronda de quatro operações de cedência de liquidez de longo prazo condicionadas à concessão de crédito, conhecidas no jargão como TLTRO (targeted long-term refinancing operations), com taxas que podem ser negativas. Estes empréstimos do BCE são dependentes do crédito concedido por cada banco, duram quatro anos, são realizados trimestralmente a partir de junho e têm como taxa base a taxa diretora que agora está em 0%. Mas, como explicou Draghi, “os bancos pagam a taxa diretora em vigor no momento da operação e podem ter uma redução se aumentarem o crédito concedido”. A taxa pode ser reduzida, no máximo, até ao valor da taxa de remuneração dos depósitos que baixou agora para -0,4%.


Leia mais na edição deste fim de semana