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Barómetro Kaizen. Empresários temem pela credibilidade e instabilidade políticas

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Marcos Borga

Credibilidade política, instabilidade governativa e crise na banca são as maiores ameaças à economia em 2016, segundo 100 gestores inquiridos pelo Kaizen Institute

A credibilidade política é apontada pelos empresários e gestores portugueses como a maior das ameaças ao desempenho da economia portuguesa em 2016, no âmbito de um inquérito realizado este mês pelo Kaizen Institute.

Na avaliação do Orçamento do Estado de 2016, a esmagadora maioria (85%) dá nota negativa, alegando que “as medidas propostas vão interromper o ciclo de recuperação económica em curso e afastar Portugal do crescimento económico duradouro”.

Três em cada quatro gestores, num universo de 100 participantes na 11ª edição do Barómetro Kaizen, escolheram a opção “credibilidade da política nacional” como a maior ameaça para a economia portuguesa em 2016. Outros fatores de incerteza, são a “instabilidade política”, apontada por 65% dos inquiridos, a “crise na banca” (55%) e a “crise nos mercados europeus” (37%).


Crise na banca não afeta investimentos

A maioria dos gestores (75%) diz que a turbulência do sistema bancário mundial não afetará o programa de investimentos da sua empresa. A maioria (51%) antevê que o desempenho da economia este ano “irá ser pior que 2015”.

A opção do Governo por manter um nível baixo de investimento público merece a concordância de 76% dos inquiridos, por “dar maiores garantias de execução orçamental” e “abrir novas oportunidades para o setor privado”.

Uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia é vista como positiva só por 3% dos gestores, sendo que uma ampla maioria (52%), receia que o Brexit “terá um impacto relevante no volume de exportações”.

Confiança em queda

O inquérito revela “o descrédito do gestores de topo no caminho que está a ser seguido”, referem as conclusões do barómetro, apresentadas quinta feira à noite a um grupo restrito de convidados, num hotel de Gaia.

A desconfiança no rumo económico do país é visível, também, no índice de confiança, que, numa escala de 0 a 20, regista uma nota de 10,1, recuando para valores de julho de 2013.

Entre os participantes do painel que serve de amostra ao tecido empresarial português, contam-se representantes do grupo Amorim, Sonae, Galp Energia, Autoeuropa, Efacec e Caixa Geral de Depósitos.

Incertezas para as empresas

António Costa, o elemento da direção ibérica do Kaizen Institute que organiza o barómetro, aponta como surpresa mais positiva o facto de as empresas “considerarem que a crise da banca terá pouco impacto nos investimentos previstos”.

Tendo em conta que o sector bancário português “continua bastante descapitalizado, com baixa concessão de crédito e em risco de ficar em mãos estrangeiras, as perspetivas não parecem animadoras neste domínio para as empresas”, acentua António Costa. O otimismo residirá na confiança de medidas do BCE, forçando os bancos a injetar dinheiro na economia.

O gestor do Kaizen Institute nota que a mudança de governo “gerou um sentimento generalizado de incerteza nas empresas, deixando “fantasmas no ar” como a possibilidade de downgrade do rating, a possibilidade de haver mais medidas de austeridade ou a reversão de várias privatizações que reduzem o apetite pelo investimento estrangeiro em Portugal”.

E o sector bancário, “têm sido dado sinais perigosos para a economia”. O Banif "foi parar a mãos espanholas, o BPI segue o mesmo caminho, o Novo Banco continua sem comprador identificado e o BCP apresenta uma capitalização bolsista tão baixa que o estranho é ainda não ter sido comprado“.

António Costa classifica de curioso que 100 dias após a posse o governo de António Costa “esteja ainda a corrigir rubricas do orçamento e a discutir medidas adicionais”, demonstrando que estamos “num período de rutura e não de consolidação.”