Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Euforia breve. Bolsas fecham em queda e juros de Portugal de novo acima dos 3%

  • 333

A reação eufórica nos mercados ao mega anúncio do Banco Central Europeu hoje teve vida curta. As acções europeias fecharam em queda. Os juros da dívida de Portugal estão de novo acima dos 3%. O euro disparou.

As bolsas europeias fecharam em queda depois de perder força a euforia inicial em torno do anúncio das medidas decididas pelo Banco Central Europeu (BCE) para estimular o crescimento económico e impulsionar a inflação.

A desilusão surgiu com as declarações do presidente do BCE, Mário Draghi, de que não haverá novos cortes de taxas de juro.

O índice europeu FTSEurofirst 300 recuou 1,77% depois de ter estado a ganhar mais de 2%. Em Lisboa, oPSI-20 perdeu 0,11%.

Os juros da dívida da periferia, que desceram de forma acentuada após o anúncio do BCE, subiram dos mínimos do dia. A taxa de juro da dívida soberana portuguesa a 10 anos está de novo acima dos 3%, nos 3,133% depois de ter recuado ao mínimo de mais de um mês nos 2,848%, segundo dados da Bloomberg.

O euro, que chegou a afundar para o mínimo de seis semanas face ao dólar, está a ganhar 1,74% face à moeda norte-americana, negociando nos 1,1191 dólares.

O BCE anunciou hoje o corte da taxa de juro principal em cinco pontos base para 0,00% e da taxa de facilidade permanente de cedência de liquidez também em cinco pontos base para 0,25%, enquanto que a taxa de depósitos recua 10 pontos base para -0,4%.

Quanto ao programa mensal de compras de ativos, aumenta 20 mil milhões de euros para 80 mil milhões de euros a partir de abril, acima do esperado pelo consenso de analistas.

"Estas medidas, conjuntamente com um programa de estímulos à economia, fizeram com que os mercados accionistas reagissem fortemente em alta", afirma Carla Santos, gestora da XTB Portugal, numa análise. "No entanto, corrigiram totalmente com o Presidente do BCE a dizer que não vai avançar com mais medidas de estímulo, criando receios quanto ao futuro económico da Europa e com a possibilidade de não se fazer nada no futuro para estimular a economia".

Além do corte das taxas de juro e do aumento do montante de compras do seu programa, o BCE decidiu que passarão a ser elegíveis no âmbito do programa de compras obrigações de empresas não financeiras da zona euro, com grau de investimento de qualidade, denominadas em euros.

E serão lançadas quatro operações de refinanciamento de longo prazo (TLTRO II), com maturidade de quatro anos, a partir de junho deste ano. As condições de financiamento poderão ser tão baixas quanto a taxa de juro de depósito. Esta medida visa incentivar a concessão de crédito pelos bancos.

Nos Estados Unidos, Wall Street segue no vermelho. O índice Dow Jones recua 0,8% e o Nasdaq perde 1,1%.