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Bolsas disparam e euro afunda com decisões do BCE

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As ações europeias disparam 2% e o euro perde mais de 1% face ao dólar depois do BCE ter supreendido os investidores com mais medidas do que o previsto para estimular a inflação e o crescimento económico

As bolsas europeias dispararam esta tarde após o anúncio do Banco Central Europeu (BCE) de mais medidas de estímulo, acima do esperado pelos investidores, incluindo o corte das três taxas de juro.

A taxa de juro principal desce cinco pontos base para 0,00%, a taxa de facilidade permanente de cedência de liquidez cai cinco pontos base para 0,25% e a taxa de depósito recua 10 pontos base para -0,4%.

Quanto ao programa mensal de compras de ativos, aumenta 20 mil milhões de euros para 80 mil milhões de euros a partir de abril, acima do esperado pelo consenso de analistas.

O índice FTSEurofirst 300 subia 2% (às 13h30) enquanto em Lisboa o PSI-20 acompanha a tendência com ganhos da mesma ordem.

Também as taxas de juro da dívida soberana dos países do euro reagiram, com as yields das obrigações do tesouro portuguesas a 10 anos a cair 19 pontos base para 2,84%, mínimo de um mês. Já as taxas de juro da dívida soberana espanhola e italiana a 10 anos caiu para o mínimo desde abril de 2015.

O euro afundou face à moeda norte-americana e segue a perder 1,32%, para 1,0852 dólares.

“É um pacote de medidas mais audacioso do que a maioria estava a a antecipar”, diz Jonathan Loynes, economista-chefe da Capital Economics para a Europa, numa análise à decisão do BCE. “Mas não há garantias de que a sua última ‘bazuca’ será mais eficaz do que as anteriores em assegurar um crescimento forte e sustentado, necessário para eliminar a ameaça de deflação na união monetária e permitir que os países periféricos resolvam os seus problemas de dívida”, adianta. E logo avisa: o BCE “não pode fazer milagres”.

Além do corte das taxas de juro e do aumento do montante de compras do seu programa, o BCE decidiu que passarão a ser elegíveis no âmbito do programa de compras obrigações de empresas não financeiras da zona euro, com grau de investimento de qualidade, denominadas em euros.

E serão lançadas quatro operações de refinanciamento de longo prazo (TLTRO II), com maturidade de quatro anos, a partir de junho deste ano. As condições de financiamento poderão ser tão baixas quanto a taxa de juro de depósito. Esta medida visa incentivar a concessão de crédito pelos bancos.

[Texto atualizado às 14h04]