Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

BCE deve decidir hoje novo corte da taxa de juro e mais compra de ativos

  • 333

Os investidores esperaram que o Banco Central Europeu possa adotar hoje novos estímulos monetários, depois de o presidente da instituição, Mario Draghi, ter prometido uma reavaliação das medidas em curso

O Banco Central Europeu (BCE) deve decidir hoje um novo corte na taxa de juro dos depósitos e um aumento no programa mensal da compra de ativos, antecipam analistas de mercados contactados pela agência Lusa.

O conselho de governadores do BCE reúne-se hoje com os investidores a esperar a adoção de novos estímulos monetários, depois de o presidente da instituição, Mario Draghi, ter prometido uma reavaliação dos atuais estímulos monetários nesta reunião.

A economista do BPI Paula Carvalho antecipa que o BCE “vá ao encontro de, pelo menos, algumas expectativas dos investidores” e dá como exemplos o corte da taxa dos depósitos dos bancos junto do banco central “em mais 10 pontos base para -0,4%”.

Além disso, também considera que é possível que o BCE “aumente o leque de produtos abrangidos pelas aquisições mensais de títulos (possivelmente dívida empresarial), ajuste a dimensão do programa, para 70 mil milhões de euros por mês e eventualmente alargue de novo a sua duração”.

Paula Carvalho admite ainda a possibilidade de a instituição liderada por Mario Draghi “introduzir uma taxa de depósitos por escalões, penalizando as instituições que depositem mais fundos junto da instituição”.

No mesmo sentido, a equipa de análise do banco BiG antecipa um aumento dos montantes de compra de ativos “em cerca de 10 mil milhões de euros mensais”, uma extensão do período do programa e “o compromisso para continuar a repetir estas medidas” no futuro.

Os economistas do BiG consideram que, “apesar do programa de compra de ativos muito provavelmente ter evitado problemas orçamentais graves na periferia europeia, é um facto que a economia e a inflação na Europa continuam anémicas”.

Por isso mesmo, os analistas do BiG defendem que “Mario Draghi tem legitimidade para continuar a insistir no reforço das políticas de ‘quantitative easing’”.

Já o gestor de ativos do banco Carregosa Rui Bárbara reconhece que “todos os observadores esperam que o BCE faça algo mais”, mas diz ser “difícil dizer o quê sem entrar em especulações”, considerando mesmo que “o BCE está “entre a espada e a parede”.

Isto porque, acrescentou, o BCE “já comprou muita dívida soberana e alguns países já estão com as ‘yields’ negativas”, além disso “descer mais as taxas pode ser contraproducente para o setor bancário que ainda está muito debilitado e estas taxas negativas afetam a rentabilidade da banca”.

Assim sendo, para o BiG, “dar mais estímulos sem prejudicar o setor bancário é, neste momento, a quadratura do círculo para o BCE”, antecipando, no entanto, a hipótese de o BCE decidir “comprar dívida dos próprios bancos”.