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Juros podem chegar a 8% se Portugal perder rating da DBRS

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Consultora Capital Economics espera que o Banco Central Europeu exclua Portugal das compras de ativos se a agência canadiana retirar a classificação de “investimento”. Isso poderia levar os juros da dívida ao nível de 2011

Se a agência DBRS cortar o rating de Portugal para 'lixo' no final de abril, o Banco Central Europeu (BCE) deverá excluir o país do seu programa de compras de ativos o que poderá levar os juros da dívida soberana a 10 anos a aproximar-se dos 8%, o mesmo nível que forçou o pedido de resgate em 2011.

A previsão é de Jennifer McKeown, economista sénior para a Europa da consultora britânica Capital Economics, que refere ainda que a recente subida dos juros reflete, precisamente, "receios de que a sua dívida [de Portugal] será em breve classificada como 'lixo' pelas quatro maiores agências de rating, levando o país a ser excluído do programa de compras (de ativos) do BCE".

A consultora frisa que "estes receios parecem justificados, sugerindo que os custos de financiamento de Portugal deverão subir ainda mais".

A agência canadiana é a única das quatro consideradas pelo BCE que ainda mantém o rating de dívida soberana de Portugal acima do nível de 'lixo', o que permite o acesso ao programa de compra de ativos. A pequena agência tem uma nova avaliação do país agendada para 29 de abril próximo.

"Pensamos que o BCE vai provavemente excluir Portugal do seu programa de quantative easing (QE) se a DBRS cortar o rating no próximo mês. Isto resultaria, quase de certeza, numa nova subida das yields das obrigações, talvez até a caminho dos níveis de cerca de 8% que forçaram Portugal a entrar num resgate em 2011", refere a economista numa análise divulgada esta terça-feira.

A Fitch reviu em baixa a sua perspetiva para a dívida portuguesa, de positivo para estável na passada sexta-feira. "A decisão levantou receios de que a DBRS pode cortar o seu rating a 29 de abril". Nesse cenário, o BCE não poderia comprar obrigações portuguesas no âmbito do QE ou aceitá-las como colateral para empréstimos baratos aos bancos.

A caminho do desastre?

"Há algumas razões para pensar que isso não precisa ser um desastre para Portugal", diz a mesma economista. O BCE já permitiu que fosse possível aceitar como colateral dívida soberana com rating de lixo no passado. E pode usar o mesmo mecanismo para poder comprar dívida sem 'investment grade'. Depois, o BCE pode em breve alargar o seu programa de compras a outros tipos de ativos elegíveis para aquisição.

"Mas existe ainda uma ameaça significativa para Portugal", alerta na mesma análise. O BCE afirmou que as exceções só podem ser aplicadas a países num programa de resgate e que cumpra os seus termos. As exceções poderia ser aplicadas a países sem um programa de ajuda financeira mas que estejam a cumprir os compromissos orçamentais. No entanto, a estimativa a Comissão Europeia duvida que Portugal atinja o défice de 2,2% previsto para 2016.

Portugal saiu do seu programa de resgate financeiro em maio de 2014.

No dia 18 de março, também a Standard & Poor's tem agendada uma avaliação do país.

Alguns analistas esperam que a DBRS possa cortar a perspetiva de Portugal de estável para negativa e manter o rating acima de 'lixo'. A agência atribui a Portugal um rating de BBB (baixo), com uma perspetiva estável.

As taxas de juro da dívida soberana portuguesa a 10 anos seguiam a descer ligeiramente para 3,13%, às 15H20, segundo dados da Bloomberg.

  • Agência de rating reage às notícias sobre o alegado nervosismo dos mercados com Portugal e explica a sua leitura dos acontecimentos recentes, numa fase em que o país e a Europa estão a discutir o Orçamento do Estado deste ano