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Chineses da Hainan Airlines só são financiadores da TAP

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O chamado “reduto TAP” inclui a sede da empresa, escritórios e oficinas localizados junto ao aeroporto

Tiago Miranda

Grupo chinês HNA, parceiro do empresário David Neeleman na companhia brasileira Azul, por enquanto é apenas financiador indireto da TAP

Os chineses da Hainan Airlines – o Grupo HNA – detentores de 23,7% do capital da companhia brasileira Azul Linhas Aéreas, controlada pelo empresário David Neeleman, por enquanto são apenas financiadores indiretos da TAP na emissão obrigacionista de 90 milhões de euros aprovada esta terça-feira. Não se coloca para já um cenário de entrada, direta ou indireta, no capital da TAP, como explicou ao Expresso o regulador da aviação civil, ANAC.

Este empréstimo acordado pelos acionistas da TAP e assegurado pela brasileira Azul - aprovado esta terça-feira entre a sociedade Atlantic Gateway e a holding estatal Parpública - posteriormente poderá ser convertido em ações da TAP, reforçando os capitais da TAP em 90 milhões de euros. Trata-se da parte mais significativa da nova injeção de 120 milhões de euros aguardada para a TAP.

No entanto, o responsável pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) Luís Ribeiro explicou ao Expresso que "a conversão deste bloco de obrigações de 90 milhões de euros em ações, quando vier a ser equacionada, terá de ser analizada ao abrigo do regulamento 1008, aplicado ao sector da aviação civil europeia".

"O cenário de conversão em ações ainda não está em cima da mesa, pelo que o papel dos chineses da HNA é meramente financeiro nesta operação, como acionistas da Azul", adianta o regulador.

Na fase seguinte, em que a Gateway detenha 45% do capital da TAP e o Estado fique com 50%, terá de ser analisada de que forma e com que tipo de acordo poderá ser feita a conversão da emissão obrigacionista em ações.

"A ANAC terá de ser notificada pela Azul e pelos seus acionistas sobre a intenção de converterem em ações esta emissão obrigacionista e só nessa altura é que será avaliada a respetiva conformidade com os termos do regulamento 1008, ou seja, não será um processo automático e dependerá do cumprimento de um conjunto de regras que o regulador terá de ponderar nessa altura", adianta Luís Ribeiro.

"Essa avaliação será rigorosa porque as empresas em causa - quer a Azul, quer o seu acionista chinês - não são europeias, o que implicará o cumprimento de condições específicas que vinculam o sector europeu da aviação civil", esclarece o regulador.

O grupo chinês HNA tinha comprado recentemente 23,7% da transportadora brasileira Azul por 427,8 milhões de euros, avaliando esta empresa em mais de 1,76 mil milhões de euros, o que a coloca no topo das companhias aéreas mais caras do Brasil.

Com o novo sócio asiático, o empresário David Neeleman, que controla a Azul, terá maior conforto para enfrentar os reforços de capital na TAP juntamente com o seu sócio português Humberto Pedrosa, que controla a maioria do capital da sociedade Gateway. No primeiro semestre de 2016, a Gateway reduzirá a participação na TAP de 61% para 45%.