Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Novo Banco: venda direta ou ida para a Bolsa em aberto

  • 333

FOTO José Coelho / Lusa

Banco de Portugal espera que a segunda tentativa de venda aconteça até junho. Em cima da mesa está a hipótese de o banco ser alienado em parcelas

O segundo concurso para a venda do Novo Banco vai ser mais flexível do que a primeira tentativa de venda que fracassou em toda a linha. Segundo apurou o Expresso, o processo de venda, anunciado em janeiro, deverá estar concluído até junho e poderá ser concretizado através da colocação em bolsa e/ou através de venda direta, com a entrada de um acionista do sector financeiro.

O objetivo é tornar o banco mais apetecível num processo mais competitivo e otimizar a receita daí decorrente. A favor da venda este ano está o facto de o Novo Banco ter sido recapitalizado através da transferência de cinco emissões de dívida sénior para o BES 'mau', no valor de 1985 milhões de euros, o que permitiu à instituição liderada por Eduardo Stock da Cunha reduzir as necessidades de capital no curto e médio prazo. O rácio de capital ficou nos 13,6%.

São dois caminhos - encontrar um comprador estratégico da banca ao mesmo tempo que se abre a porta ao mercado de capitais - que serão trilhados em simultâneo. Este modelo passa pela divulgação de um caderno de encargos que apenas será público no final de maio. Antes disso a equipa de assessores farão uma ronda por vários países e investidores internacionais, nomeadamente fundos britânicos e norte-americanos. Estas apresentações servem para contactar informalmente o mercado, informando os investidores sobre os impactos da reestruturação que está a ser feita, e com isso atrair o maior número de potenciais interessados possível. Entre eles, além de fundos, estão os bancos espanhóis Santander Totta (que acabou de comprar o Banif em dezembro por 150 milhões de euros) e La Caixa (o maior acionista do BPI), que são vistos com bons olhos pelo Banco Central Europeu (BCE), que tem apelado a uma concentração do mercado bancário, e pela Direção Geral da Concorrência da Comissão Europeia (DGCom). Estes dois bancos já foram sondados pelo Banco de Portugal como noticiou o Expresso.

Existe a possbilidade de vender apenas o negócio bancário doméstico (à semelhança do que aconteceu com o Banif) e desinvestir em outros ativos não estratégicos e créditos em incumprimento. Está também em aberto a venda em separado da seguradora do grupo, a GNB Seguros. Para isso será criado um novo veículo (side bank) para acomodar estes ativos a vender. Mas este cenário irá depender da prospeção de mercado que será feita antes de ser tomada uma decisão final. Uma coisa é certa, sem tempo para finalizar a reestruturação do banco já aprovada pela DGCom, quaisquer que sejam os pressupostos da venda assentarão sempre em cenários de crescimento e execução conservadores.

Recorde-se que o Novo Banco pode ser vendido até agosto de 2017, mas nesse caso, se nada for feito entretanto, o banco liderado por Eduardo Stock da Cunha terá de ser vendido na sua totalidade e não por áreas de negócios. É uma corrida contra o tempo, numa altura em que o desconto que o mercado está a fazer à banca é elevado.

Encaixe da venda será para reduzir a dívida pública

A receita da venda do Novo Banco como um todo, em partes ou através da sua colocação em bolsa será consignada para reduzir a dívida pública. Descontado o valor que está a penalizar a banca europeia e atendendo a que o Novo banco tem custos de reestruturação pela frente e não deu ainda provas do seu resultado, as contas dos potenciais compradores não cobrem nem de perto nem de longe os 4,9 mil milhões já injetados no Banco.