Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

“Zika não terá impacto nos Jogos Olímpicos”

  • 333

José Caria

Vinícius Lummertz, presidente do Instituto Brasileiro de Turismo, defende que o país tem ainda um vasto potencial a explorar no sector - que este ano será beneficiado pelos Jogos Olímpicos - e convida Portugal a participar neste processo. Esta semana, foi decidido criar um grupo de trabalho para promover o turismo entre os dois países

Liliana Coelho

Liliana Coelho

Texto

Jornalista

José Caria

José Caria

Fotos

Fotojornalista

Apesar da recessão e do vírus zika, o presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Vinícius Lummertz, está otimista quanto ao desempenho do sector. Diz que os Jogos Olímpicos, que vão decorrer em agosto no Rio de Janeiro, têm tudo para ser um sucesso e que o país deve tornar-se a longo prazo uma potência do turismo. Neste caminho, os investidores portugueses são também bem-vindos. O responsável esteve presente esta semana na abertura da 28.ª edição da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) e falou com o Expresso à margem do evento.

“O Brasil é na sua história um país de lentas mudanças. Demorou a tornar-se independente e a sair da ditadura, por exemplo. É preciso ter paciência, mas chegámos lá.” Desde 2007, o Brasil tem sido palco de um ciclo de eventos - Jogos Panamericanos, Rio+20, visita do Papa e o Mundial de Futebol - que permitiram ao país adquirir experiência e a mostrar ao mundo que sabe organizar eventos e receber turistas . “Há vários anos que já tinhamos o Carnaval ou o Rock in Rio. O mais importante foi termos vencido preconceitos e mostrado que o Brasil tem capacidade de fazer os maiores eventos do planeta.”

Vinícius Lummertz acredita que 2016 será sobretudo um ano de consolidação do ciclo de grandes eventos que começou há nove anos. Com o turismo brasileiro a registar taxas de crescimento na ordem dos 4% ou 5% nos últimos anos, a expectativa é de manter ou superar essa percentagem. “Nos útimos anos, o défice do turismo diminuiu de 25 mil milhões para 17 mil milhões. Este ano deverá cair como parte do ajuste. Para os Jogos Olímpicos esperamos entre 300 mil a 500 mil turistas estrangeiros. Será, sem dúvida, um evento muito rentável para a nossa economia.”

Se por um lado, a contração do PIB - que caiu 3,8% no ano passado, representanto a maior queda em 20 anos -, representa também a quebra do turismo interno, a desvalorização do real é atrativa para os turistas estrangeiros, ajudando a equilibrar a balança.

A perspetiva quanto aos Jogos Olímpicos - que têm como sede o Rio de Janeiro, mas que se realizam também em cidades como Manaus, Salvador, Belo Horizonte, Brasília e S. Paulo no caso dos jogos de futebol - é que promova também o turismo interno, à semelhança do que aconteceu com o Mundial de Futebol, em 2014, que se realizou em 12 cidades, mas 491 municípios brasileiros acabaram por ser visitados por turistas.

Reservas não tem sido canceladas

O responsável garante também que o vírus zika não está a ter impacto no turismo, sublinhando que a Organização Mundial da Saúde e a Organização Mundial do Turismo não recomendam restrições de viagem, com exceção das grávidas. “Não temos tido cancelamentos de viagens ou reservas, muitos pacotes já foram comprados. Acredito que o zika não terá impacto nos Jogos Olímpicos. No Carnaval também não sentimos reflexo.”

Para além do maior evento desportivo, que se realizará no Rio de Janeiro - símbolo do Brasil - e que deverá reforçar a “boa imagem” do país, o líder da Embratur sustenta que há ainda muito potencial a explorar no sector, apontando para a orla marítima, os parques naturais e as cidades históricas. “Terminado este ciclo, o país irá transformar-se numa referência no turismo não nos próximos cinco anos, mas nos próximos 30, 40 ou 50 anos.”

Nesta altura, a prioridade do Ministério do Turismo brasileiro e da Embratur é criar mais oportunidades para os investidores, estando a ser discutidas no Congresso leis para áreas especiais de interesse turístico, que exijam menor burocracia. Estão ainda a ser avaliadas novas concessões para parques naturais e a orla marítima. “A legislação para casinos também está a ser discutida. O modelo português está a ser equacionado, tendo-se já deslocado ao Brasil representantes do Casino do Estoril para explicar o modelo”.

José Caria

“A TAP é mais importante do que a Varig”

Neste processo de desenvolvimento turístico, Vinícius Lummertz acredita que Portugal pode desempenhar um papel central. “Na Embratur já trabalhamos com empresas como o grupo Pestana, Galé, agência Abreu e TAP. São parceiros históricos. A TAP para o Brasil é mais importante do que a Varig. São 67 voos semanais. Esta relação Portugal/Brasil é única, tal como a relação entre o Reino Unido e os EUA. E ainda pode ser mais explorada.”

Esta quinta-feira, o ministro do Turismo do Brasil, Henrique Eduardo Alves, e o presidente da Embratur reuniram-se em Lisboa com o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e a secretária de Estado de Turismo, Ana Mendes Godinho, tendo acordado a criação de um grupo de trabalho para promover o turismo entre os dois países. O objetivo é também impulsionar o intercâmbio de experiências e a formação nos dois lados do Atântico. Este ano, 30 alunos brasileiros já tiveram oportunidade de participar em formações na Escola de Turismo e Hotelaria de Setúbal e prevê-se que este tipo de ações se multipliquem entre os dois países.

“O Brasil precisa de abrir-se ao mundo e é fundamental a parceria com a Europa, onde Portugal é a porta de entrada. Somos um país em desenvolvimento, não se pode medir pela mesma régua. Mas o esforço é maior e a recompensa maior ainda. Nestes últimos anos, aprendemos a desenvolver a economia de serviços: o Mundial de Futebol em 2014 foi um grande evento e os Jogos Olímpicos também serão certamente.”