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Rendas na Rua Augusta são as que mais sobem

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Vários prédios estão em licenciamento para instalar lojas no piso térreo e alojamento local acima

António Pedro Ferreira

Muita procura e pouca oferta de espaços provocam aumentos de 30%. Dinâmica no retalho replica-se no Porto

Marisa Antunes

Jornalista

As rendas da Rua Augusta, na Baixa lisboeta, são as que mais estão a subir neste momento. Na mais recente análise do mercado imobiliário, a consultora CBRE fala de um acréscimo de 30% no valor da renda prime, face a 2014, das lojas situadas na Rua Augusta, as quais chegam a atingir os €70/m2/mês.

Vários fatores contribuem para esta tendência, mas todos eles estão alicerçados no fluxo crescente de turistas e na pressão que hoje existe no mercado para aproveitar o potencial de rentabilidade que daqui advém.

Carlos Récio, diretor do departamento de Retalho da CBRE, lembra que “a Rua Augusta sempre foi um eixo muito importante por ser pedonal e por fazer a ligação entre o Terreiro do Paço e o Rossio” e agora, cada vez mais. O terminal de Cruzeiros, que deverá estar concluído no próximo ano, irá multiplicar ainda mais o número de visitantes estrangeiros que passam por esta artéria da capital.

“Continua a não existir muita oferta e isso provoca a pressão nos preços das rendas. E também já se nota nos valores de venda. Uma das mais recentes lojas que vendemos na Rua Augusta foi a €10.000 o m2, o mesmo preço a que as lojas estão a ser comercializadas na Avenida da Liberdade”, diz o responsável.

Cristina Arouca, diretora do departamento de Consultoria da CBRE, refere que muitos imóveis estão a ser requalificados, antevendo-se mais oferta de espaços dentro em breve. Aliás, para este ano, segundo o estudo, as zonas da Avenida da Liberdade, Chiado e Baixa, vão ter 20 novas lojas reabilitadas. “Metade desta oferta está prevista para a Avenida da Liberdade com novas insígnias do segmento de luxo a anunciarem a abertura para 2016, nomeadamente a Bulgari e a Versace, assim como os corners da Chanel, da Céline e da Dior, integrados em lojas multimarca”, aponta Cristina Arouca.

A crescente atividade do sector já fez subir as rendas prime na Avenida da Liberdade e do Chiado para os €100/m2, um crescimento de 11% em comparação com o ano anterior.

A dinâmica no retalho em 2016 não se vai restringir a estas artérias. Segundo a análise da CBRE, e à semelhança do que se verificou com a Decathlon que abriu uma loja de 2000 m2 no centro de Lisboa, na Avenida António Augusto de Aguiar, “prevê-se que outros operadores, que tipicamente ocupam espaços de maior dimensão e estão localizados mais para a periferia da cidade, procurem posicionar-se também no centro de Lisboa, ficando mais perto do consumidor”.

O fenómeno do turismo está também a alavancar variadíssimos negócios no centro do Porto. “O comércio de rua prime da cidade do Porto está consolidado na Rua de Santa Catarina, no Passeio dos Clérigos e no Quarteirão das Cardosas, estando a evidenciar-se um dinamismo crescente no eixo Mouzinho-Flores”.

É ainda de destacar o reposicionamento do centro comercial Gran Plaza, transformado num grande armazém multimarca (“department store”) com a denominação de Gran Plaza Terminal.

Também aqui já se faz sentir a pressão da procura com as rendas médias a crescerem em dezembro de 2015 a um ritmo de 17% face ao final de 2014, fixando-se nos 35€/m2/mês para espaços de aproximadamente 100 m2.