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Petróleo barato sai caro às exportações

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As exportações portuguesas, que puxaram pela economia em 2015, foram particularmente afetadas pelas vendas a Angola

Nuno Botelho

Angola é o principal problema para quem exporta. No deve e haver do jogo do petróleo barato, o que Portugal ganhou na fatura energética não cobriu as perdas das vendas ao exterior

O sector exportador está a pagar caro o petróleo barato. Em 2015, as empresas mais expostas a economias dependentes do petróleo não escaparam ilesas e, para já, o cenário permanece inalterado. Contas feitas pelo Expresso, com base nos dados do Instituto Nacional de Estatística, apontam para perdas de €1,3 mil milhões nas receitas das exportações para países produtores de petróleo, sobretudo Angola, Venezuela, Rússia e alguns estados do Médio Oriente. Os dados são de 2015, ano em que os ganhos na fatura energética portuguesa rondaram os €1,2 mil milhões, segundo a Direção-Geral de Energia e Geologia.

Mesmo na venda de produtos refinados, Portugal exportou menos €266 milhões em 2015 relativamente ao ano anterior, o que estará diretamente ligado à queda dos preços do petróleo. Ou seja, o país sai claramente a perder nesta equação.


Na análise por sectores, a indústria metalúrgica e metalomecânica dá conta de uma tendência mista no impacto do preço do petróleo nas suas exportações. Apesar do valor recorde de €1,6 mil milhões nas vendas do metal português ao exterior em 2015, houve quebras significativas em destinos como Angola (-39,9%) ou Venezuela (-61,2%), contra crescimentos nos Emirados Árabes Unidos (36,8%), e Arábia Saudita (23,3%). Quanto a 2016, o vice-presidente da associação do sector AIMMAP, Rafael Correia Campos, admite como “provável que o mercado de Angola continue a descer”, mas acredita que o investimento na diversificação de mercados, concretamente para países do Médio Oriente, “irá atenuar esse efeito”.


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