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TMA: Técnicos de Manutenção de Aeronaves, ou como a TAP volta a contratar

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José Caria

Local: Hangar da TAP. Ocasião: entrega dos diplomas aos noventa novos TMA (técnicos de manutenção de aeronaves) do 18º e 19º cursos. Banda sonora: Aurea. Embarque: 15h00. Temperatura no exterior: frio. Duração prevista da viagem: 2 horas

André de Atayde

André de Atayde

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Jornalista

José Caria

José Caria

Fotografias

Fotojornalista

Sim, a TAP voltou a colocar no "seu" mercado de trabalho noventa novos técnico de manutenção de aeronaves, a última fornada de um curso que existe desde 1987, dura dois anos e já formou desde o seu início cerca de 800 pessoas, responsáveis por cumprir os valores inerentes à companhia aérea - "a segurança, a ética e o acrescentar valor à sociedade".

Sim, a TAP optou por formar técnicos em vez de os ir contratar a entidades como a Força Aérea ou a OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, antigamente conhecida por Oficinas Gerais de Material Aeronáutico. Porque a companhia cresceu e as exigências do mercado a isso obrigaram.

Foto de família dos noventa novos TMA formados pela TAP

Foto de família dos noventa novos TMA formados pela TAP

José Caria

Sim, há mais noventa responsáveis pelo acompanhamento técnico e/ou mecânico dos aviões da TAP que todos os dias transportam milhares de pessoas para os quatro cantos do mundo. E são jovens iguais aos outros, mas com a consciência de uma responsabilidade acrescida. Do saber deles depende a vida de muita gente e isso é motivo de orgulho.

Sim, todos se sentem parte de uma família que se baseia em dois pilares centrais: a união faz a força e a procura pelo conhecimento é percurso interminável. Alguns desistiram de cursos superiores em Engenharia Mecânica e hoje são apaixonados por aviões, "bicho" a que nunca ligaram particularmente, como é o caso de Pedro Mascarenhas, 26 anos, que ao fim de dois anos de curso aprendeu "a gostar de aviões e de toda a engenharia envolvida na aeronáutica".

"Estava na faculdade a estudar engenharia mecânica, mas desisti do curso e vim para aqui. Foi uma opção sair a meio, mas por causa do limite de idade e porque os licenciados não se podem candidatar a este cargo, decidi vir", conta. Até chegar aqui teve seis meses em recrutamento, antes de saber se seria um dos escolhidos.

Pedro Mascarenhas desistiu do curso de Engenharia Mecânica para ser TMA

Pedro Mascarenhas desistiu do curso de Engenharia Mecânica para ser TMA

José Caria

"Nunca se tem a perder quando se tem uma mulher na equipa"

História parecida tem Vera Caria, de 24 anos, uma das duas mulheres que fazem parte deste grupo de 90 novos técnicos. Também ela desistiu do curso de Engenharia Mecânica no ISEL para se candidatar ao curso de TMA na TAP. "Um dia tenciono acabar o curso de engenharia, mas até agora estou a gostar do percurso que estou a fazer. Já estou a trabalhar há quase um ano e hoje veio a validação, através da entrega do diploma.".

Sendo uma profissão maioritariamente masculina, Vera acredita que as mulheres têm capacidades que podem ser uma mais-valia. "É verdade que às vezes é preciso músculo, outras vezes é preciso a ponderação e o 'multitasking', aquela capacidade muito feminina de fazer e pensar em várias coisas ao mesmo tempo. Nunca se tem a perder quando se tem uma mulher na equipa", ri-se.

Vera Caria recebeu o diploma de TMA e acredita que as mulheres tem um papel importante nesta profissão

Vera Caria recebeu o diploma de TMA e acredita que as mulheres tem um papel importante nesta profissão

José Caria

Opinião idêntica tem o seu colega Pedro, que vê esta profissão "como cada vez mais mista. Temos bastantes colegas femininas que dão cartas e que não é por serem do sexo feminino que fazem menos ou mais. É exatamente igual". Além disso, "não há nenhum trabalho que seja exclusivo para um homem", destaca Vera.

O melhor que podiam ter feito

Sim, a união e o respeito fazem parte dos valores das equipas. É um ponto de contacto fundamental, garantem. Alinhados estão também em relação ao futuro que, dizem, passa por continuar a trabalhar na TAP. Sentem-se em casa e parte integrante da tal família, feita de pessoas com percursos de diferentes e com histórias de vida diversas.

Nenhum se arrepende da decisão que tomou e encaram o que o futuro lhe reserva com optimismo e espírito aberto. Foi a melhor decisão que podiam ter tomado. Sim, é palavra de TMA.