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Pedro Soares dos Santos: “Não vejo neste Orçamento muita consistência”

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Pedro Soares dos Santos, CEO do grupo Jerónimo Martins

João Lima

CEO do grupo Jerónimo Martins defende que o Orçamento do Estado para 2016 não é “amigo da gestão privada" e diz não acreditar em “choques artificiais para o consumo”

O presidente do grupo Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, diz não acreditar em “choques artificiais para o consumo”, pois “isso já nos levou a pagar um preço muito caro”. E aplica o mesmo cepticismo ao Orçamento do Estado para 2016. “Não vejo neste Orçamento – ele tem o seu mérito da forma como cada um pensa –, não vejo muita consistência nele, não sei se as previsões de crescimento são sólidas”, afirmou, em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta sexta-feira.

Para o Pedro Soares dos Santos, o Orçamento do Estado para 2016 não é “amigo da gestão privada”. E “é a gestão privada que tem de encontrar soluções para o país”, defendeu. Quando questionado sobre a falta de incentivos às empresas, diz “que é mais uma falta de estabilidade e de previsão do que vai acontecer no futuro, do que propriamente de falta de incentivos”.

Uma das faces mais conhecidas do grupo Jerónimo Martins é a cadeia de supermercados Pingo Doce. Mas mesmo no campo da restauração Pedro Soares dos Santos não se mostra optimista. A descida do IVA de 23% para 13% em alguns produtos da restauração, não será uma oportunidade de retoma no consumo interno, diz. A única exceção, em 2015, foi o turismo, o “único” sinal de retoma.

Isto porque “qualquer pessoa que hoje vá a um supermercado 60% dos seus produtos têm que estar em promoção, porque senão ele não compra.” Para 2016, prevê que o mercado português vá ser “agressivo”, entre concorrentes do sector da distribuição. “Prevejo uma maior pressão na margem.”