Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Moody's diz que “o risco político permanece” elevado

  • 333

Kathryn Muehlbronner, vice presidente sénior do grupo de riscos soberanos da Moody's

Alberto Frias

Portugal tem ainda um elevado risco político, diz a vice presidente sénior do grupo de riscos soberanos da Moody's. E à medida que o ano for passando, este risco poderá aumentar. Mas o BCE deverá continuar a manter o custo da divida contido, como tem vindo a fazer

Continua a existir um risco político elevado em Portugal, que poderá aumentar ao longo do ano caso sejam necessárias medidas adicionais para atingir as metas do défice publico, diz Kathryn Muehlbronner.

"Há um orçamento para 2017 e poderá haver medidas adicionais durante este ano. O risco político permanece", afirma em entrevista ao Expresso à margem de uma conferência da agência em Lisboa, esta quarta-feira.

A aprovação do orçamento para 2016 foi positiva mas apenas eliminou o risco político "para já", esclarece a mesma responsável.

A Moody's elogiou recentemente a aprovação do OE 2016 frisando que eliminava o risco político.

Por outro lado, a responsável da Moody's frisa que têm sido as compras de divida portuguesa por parte do Banco Central Europeu (BCE) que tem feito descer os juros da dívida soberana.

"Se o BCE não estivesse lá, as yields poderiam estar a ter 2,5 pontos percentuais mais altas, o que seria um problema para um país como Portugal", afirma.

Lembra que Portugal precisa de ter yields baixas para que a sua elevada dívida pública, uma das mais altas do mundo, seja sustentável.

Novo Banco é para privatizar

A responsável da Moody's prefere nao comentar sobre uma eventual nacionalização do Novo Banco mas avisa que privatizar é o compromisso que foi feito.

"Nacionalizar seria um desvio do que está acordado com a Comissão Europeia. Esse é o compromisso atual".

Salienta que a transferência de obrigações do Novo Banco para o BES teve impacto negativo na percepção de alguns investidores acerca de Portugal. E que tornou mais difícil e mais caro o acesso a financiamento para os bancos portugueses, alem de ter contribuído para a subida dos juros da divida soberana no mercado.

Frisa que a banca continua a ser um dos grandes riscos do país mas, para já, nao antevê que mais bancos em Portugal venham a precisar de ajuda estatal.

"Esta é uma área à qual vamos continuar atentos", avisa.

Outro risco prende-se com o fraco crescimento económico. "Não há investimento e as empresas estão muito endividadas. Não tenho a bola de cristal para saber como pode sair deste ciclo negativo". Sugere mais reformas estruturais.

Mas, enquanto Portugal tiver um rácio de dívida pública face ao Produto Interno Bruto muito elevado (atualmente próximo dos 130%), a Moody's nao dará ao país o rating de investment grade.

A DBRS é a única agencia de ratings, das consideradas pelo BCE, a manter Portugal acima do nível de 'lixo'.