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Fotos de Nuno Vasconcellos geram polémica no “Diário Económico”

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Nas imagens, o 'patrão' da Ongoing exibe dotes culinários, o que levou trabalhadores do “DE”, com salários em atraso há três meses, a inundarem-no de críticas nas redes sociais. Fotografias foram retiradas mas as críticas perduram

Com salários em atraso há três meses, há trabalhadores do "Diário Económico" a trabalharem a partir de casa, sem dinheiro para se deslocarem até à redação do jornal, localizada em Alcântara, Lisboa. Daí a chuva de críticas e de comentários indignados que encheu as redes sociais, depois de Nuno Vasconcellos, presidente do grupo Ongoing, que detém o título económico, ter partilhado na sua página do Facebook as fotos do jantar da última sexta-feira.

Nelas, exibe a sua mestria culinária, preparando um lombo de salmão e posando sorridente para as fotografias. Depois de ter partilhado as imagens, a polémica não tardou a estalar nas redes sociais, com dezenas de trabalhadores do jornal a criticarem as fotos do 'patrão' e apontando o dedo à sua falta de sensibilidade para com a situação do jornal, que se encontra em risco de insolvência, e com a dos seus trabalhadores, que desde o final do ano passado deixaram de receber salários.

As fotografias foram apagadas entretanto, mas tarde de mais para apagar a polémica. A indignação é muita entre os trabalhadores.

O "Diário Económico" está em risco de fechar, com um passivo acumulado de 30 milhões de euros. Na semana passada, reunidos em plenário, os trabalhadores prometeram estar disponíveis para continuar a lutar pelo jornal, mesmo que não estejam reunidas as melhores condições para o desempenho das suas funções. "Apelamos à sociedade portuguesa para que faça desta intenção uma realidade, contribuindo para a continuidade deste projeto, comprando o 'Diário Económico', acedendo ao economico.pt e seguindo a Etv", informou a Comissão Instaladora da Comissão de Trabalhadores do Económico/Etv, em comunicado do dia 23 de fevereiro, depois de a administração ter colocado o cenário de insolvência do jornal.

Os trabalhadores "reafirmam a sua intenção de levar a cabo o projeto" mesmo com o "cenário de insolvência (...) posto em cima da mesa pela administração", afirmando que vão continuar a trabalhar até que seja conhecido o desfecho para a situação do diário.

No mesmo dia, a direção do "Diário Económico" fez chegar à administração da Ongoing um outro comunicado, onde se podia ler: "Face à ausência de desenvolvimentos que possam resolver estes problemas e à degradação dos meios de funcionamento, a redação não tem condições para continuar a assegurar produtos com a qualidade a que os leitores e telespetadores do Económico estão habituados".

Em janeiro, a administração do jornal tinha conseguido levantar a penhora que o fisco efetuou em dezembro às receitas geradas pela S. T. & S. F., a empresa do grupo Ongoing que explora o jornal e o canal ETV, o que permitiu ao matutino aliviar um pouco as graves dificuldades financeiras que tem atravessado e regularizar parte dos salários que tem em dívida para com os seus trabalhadores. Há vários anos que o jornal tem vindo a acumular dívidas ao Estado, Segurança Social e fornecedores.