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A preferência dos lojistas já não vai para os centros comerciais

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LUCILIA MONTEIRO

Portugal é apontado por retalhistas estrangeiros como um dos destinos mais procurados pelo investimento internacional em 2016, no segmento do comércio de rua

André Rosa

A Europa do Sul é neste momento um dos destinos preferidos dos retalhistas para investir em comércio de rua. Portugal é mesmo apontado como um dos destinos mais procurados pelo investimento internacional em 2016 e o investimento em lojas nos centros comerciais já não é uma prioridade.

A conclusão é do estudo “Capital Views – High Street Renaissance in Europe, publicado recentemente pela Cushman & Wakefield (C&W), que destaca Lisboa, Barcelona e Paris como cidades em que as rendas têm subido.

O relatório frisa que o retalho de rua foi o único setor do mercado imobiliário europeu a recuperar os valores do período antes da crise.

Por outro lado, as principais ruas de comércio também já não se restringem ao centro de Lisboa. "Os retalhistas querem localizar-se em ruas secundárias na capital e noutras cidades do país", lê-se no estudo. A cidade do Porto também está na mira dos investidores, em linha com a tendência geral na Europa.

As rendas na Via Montenapoleone, em Milão, cresceram 41,2% num ano, "tornando-se assim a localização de retalho de rua com um incremento mais significativo em toda a Europa". A Via Condotti, em Roma (37,5%) e a Avenida Diagonal (33,3%), em Barcelona, também cresceram. Já na Europa de Leste, é esperado um maior crescimento na Polónia e em Praga graças ao "renascimento das áreas urbanas".

Mais comércio, novo urbanismo

A aposta no formato de loja de rua é um sinal de que os centros urbanos estão a crescer, muito graças à expansão do turismo, alterando o estilo de vida dos consumidores.

Marta Esteves Costa, diretora ibérica de research da C&W, ressalva que "esta tendência vai acarretar de igual forma mais investimento em planeamento, com a conceção de cidades mais saudáveis e menos stressantes, promovendo também proximidade a preços acessíveis". A solução será construir imóveis multifacetados, com espaço para receber restauração, cultura e negócios. "Como resultado, os retalhistas beneficiam de um maior volume de visitantes nas ruas".

O estudo refere ainda que os incentivos fiscais dados a projetos de requalificação urbana têm renovado os centros históricos, outra razão para os retalhistas investirem.