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Banca europeia perde €240 mil milhões em Bolsa em 2016

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Os bancos europeus foram atingidos pela pior onda de vendas desde a crise de 2008. São muitos os riscos que pesam sobre o sector

Para os investidores, a questão que têm colocado em relação à banca europeia tem sido: “onde é a saída”? A fuga tem sido forte. O índice STOXX Europe 600 para o sector perdeu cerca de um quarto do seu valor do início do ano até à passada quarta-feira. No mesmo período de 2008 tinha perdido apenas 17%, segundo dados da Reuters. Os bancos europeus valem agora menos €240 mil milhões do que há dois meses.

Os investidores em obrigações também estão em stresse. O custo de cobrir a exposição à dívida de bancos europeus (através do investimento em CDS — credit default swaps) tem evidenciado o alarme em torno do sector. Os preços dos CDS de bancos como o Deutsche Bank e o Barclays estão próximos de máximos de 10 anos.

Os motivos para os receios são vários e transversais. “É um sector muito regulado, com exigências cada vez maiores, enfrenta muitas incertezas e é pouco rentável”, resume um analista. O abrandamento do crescimento económico a nível global pode ameaçar os esforços que os bancos têm levado a cabo para registarem um balanço mais saudável e apresentarem melhores resultados. A queda dos preços do petróleo para mínimos de vários anos, o abrandamento do crescimento económico na China e a turbulência nos mercados em 2016 são ameaças. Acrescem a nova regulação europeia para o sector bem como multas e investigações de autoridades. “A questão é se, mesmo com contas saudáveis, os bancos terão condições para ser lucrativos neste ambiente de taxas de juro nominais baixas e excessiva regulação”, frisa outro analista do sector. As últimas declarações de responsáveis do Banco Central Europeu dão mostras de haver a intenção de proteger os bancos nas próximas decisões do banco central. Isto quando uma nova ronda de testes de stresse se aproxima.

Resultados desapontam

Apesar de alguns bancos europeus terem apresentado uma melhoria nos resultados em 2015, outros desapontaram. E muitos apresentam fragilidades preocupantes. No Deutsche Bank surgiram dúvidas sobre se conseguirá fazer face ao reembolso de obrigações convertíveis contingentes. O Barclays viu a negociação das suas ações ser suspensa em Bolsa recentemente mediante rumores de que iria ter de fazer um aumento de capital para melhorar os rácios de capital.

O Standard Chartered, um banco focado em mercados emergentes, anunciou o primeiro prejuízo em mais de um quarto de século. As ações afundaram. A exposição deste banco à China preocupa, um risco que também existe no HSBC, um banco que enfrenta mais uma investigação nos Estados Unidos sobre se contratou pessoas ligadas a governos e empresas estatais na Ásia. Também o francês Société Générale divulgou resultados no quarto trimestre de 2015 abaixo do esperado por analistas e o banco deu perspetivas cautelosas para este ano. O Royal Bank of Scotland anunciou no final de janeiro que constituiu uma provisão de 3,6 mil milhões de libras. Já o Crédit Suisse registou em 2015 o primeiro prejuízo desde 2008 devido a imparidades na divisão de banca de investimento. As ações caíram mais de 13% na sessão de 4 de fevereiro. O espanhol Santander registou no quarto trimestre de 2015 um custo extraordinário de €1,44 mil milhões, que reduziu o lucro para apenas €25 milhões, uma queda de 98%. Já o britânico Lloyds anunciou um lucro antes de impostos e efeitos extraordinários de €10,3 mil milhões em 2015. As ações dispararam com o anúncio de dividendos bilionários.