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Marraquexe, a porta do deserto

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CIDADE VERMELHA. Assim é conhecida Marraquexe, o principal destino turístico de Marrocos

Está a subir o volume portugueses a viajar para Marrocos, que no ano passado atingiu 63 mil. É uma das novas apostas da TAP, que vai ter voos diários para Marraquexe e dois voos por dia para Casablanca

O chá de menta, popular bebida marroquina, é vertido num arco perfeito dos bules para o copo de vidro. “Diz-se que quem bebe chá de menta, nunca lamenta. Estamos em Marrocos, e aqui o álcool é pecado”, explica o guia Mostafa Maracha. “Mas antes do profeta proibir o álcool no Islão, os árabes eram grandes bebedores. E o Corão não tem nenhum versículo que proíba o álcool, diz até que existe álcool no paraíso. Enfim, é um mundo de contrastes”.

LABIRINTO DE RUELAS. A medina de Marraquexe está classificada como património mundial pela UNESCO

LABIRINTO DE RUELAS. A medina de Marraquexe está classificada como património mundial pela UNESCO

Este “mundo de contrastes” que representa uma nova aposta para a TAP, que a partir do próximo verão vai duplicar a operação para Marrocos: os voos de Lisboa para Marraquexe passam a ser diários (atualmente há três por semana) e para Casablanca haverá duas ligações por dia. Ao todo, a companhia vai ter um acréscimo de 10 voos por semana para Marrocos, com uma oferta de lugares alargada dos atuais 40 mil para 72 mil.

Segundo Joaquim Miranda, responsável da TAP pelo mercado de Marrocos, este reforço de voos “irá ter muita expressão a seguir ao Ramadão, que este ano decorre em junho”. O objetivo passa por atrair “mais portugueses a viajar a este destino”, mas o alvo também é “a grande classe média que existe em Marrocos com poder de compra”, alimentando assim, a partir do 'hub' de Lisboa, a nova rota dos Estados Unidos, que foi esta semana anunciada, e também as europeias e do Brasil.

TRADIÇÃO BERBERE. O povo que está na região há quatro mil anos ainda tem presença marcante em Marraquexe

TRADIÇÃO BERBERE. O povo que está na região há quatro mil anos ainda tem presença marcante em Marraquexe

No ano passado Marrocos recebeu 63 mil turistas portugueses, e o objetivo este ano é conseguir aqui um crescimento, sobretudo com o foco em Marraquexe, o seu principal destino de lazer. “Temos muitas ligações históricas, os portugueses conhecem-nos bem e são uma ótima clientela para nós”, frisa Abdellatif Achaci, responsável do Turismo de Marrocos pelo mercado português.

Mas há cinco anos havia 73 mil portugueses a viajar para Marrocos. “Ainda temos de recuperar 10 mil turistas portugueses, a crise europeia tocou Portugal com uma forte baixa de salários e em 2012 assistimos a uma grande baixa”, refere o responsável do Turismo de Marrocos, adiantando que “apesar das medidas da troika, temos vindo a retomar o mercado português passo a passo, mas para nós é uma obrigação aumentar este fluxo também incentivando os operadores turísticos”.

ARTESANATO. Os objetos tradicionais marroquinos misturam cerâmica e metal trabalhado à mão

ARTESANATO. Os objetos tradicionais marroquinos misturam cerâmica e metal trabalhado à mão

O Turismo de Marrocos está a trabalhar com a Royal Air Maroc no sentido de poder haver voos diretos a partir do Porto para Marraquexe ou Casablanca, e assim poder “servir melhor o norte de Portugal com ligações aéreas para Marrocos”. Segundo Abdellatif Achaci, “até ao presente, a frota da Royal Air Maroc não permite ter um avião dedicado ao Porto”, mas a companhia marroquina irá receber novos aviões e esta rota é algo que “já está na agenda da Royal Air Maroc”.

“Há três anos a Ryanair tinha voos diretos Porto-Marraquexe, e estavam sempre cheios”, faz notar o responsável do Turismo de Marrocos.

ESPECIARIAS. São de compra obrigatória em Marraquexe

ESPECIARIAS. São de compra obrigatória em Marraquexe

Frisando não haver neste reforço de voos anunciado pela TAP “concorrência com a Royal Air Maroc, mas sim complementaridade”, Abdellatif Achaci está também empenhado em conseguir ligações aéreas diretas de Portugal para Rabat, capital de Marrocos. “Em 2020 Rabat vai ser uma grande cidade turística, e os portugueses que ainda não conhecem vão adorar“, salienta o responsável do Turismo de Marrocos. “Gostava mesmo de conseguir voos diretos de Portugal para Rabat, com a TAP ou com a Royal Air Maroc”.

Caldeirão de culturas

Caldeirão de culturas

Marrocos é um destino que se tem “saído bem” da turbulência da Primavera Árabe. “Aumentámos o volume de turistas em 1% em 2015, com destaque para turistas franceses ou italianos. Percebe-se que somos um destino seguro ao olhar o mundo à nossa volta, com incidentes que ocorrem no Iraque ou em Paris”, frisa Abdellatif Achaci.

“Vamos este ano implementar mais ações promocionais para aumentar o fluxo turístico da clientela portuguesa em Marrocos, beneficiando deste aumento de procura”, garante o responsável do Turismo de Marrocos.

MEDINA. Tâmaras, tapetes, especiarias, tajines ou tapetes - vende-se de tudo um pouco na medina de Marraquexe

MEDINA. Tâmaras, tapetes, especiarias, tajines ou tapetes - vende-se de tudo um pouco na medina de Marraquexe

Conhecida como 'cidade vermelha', ou 'pérola do sul', é o principal destino turístico de Marrocos. “Apesar de ser considerada a 'porta do deserto, Marraquexe tem mais jardins que outros sítios onde há bastante mais água”, enfatiza a guia Souâd Bouhaik, lembrando que o jardim é uma representação simbólica do paraíso.

Marraquexe localiza-se a sudoeste de Marrocos, na base da cordilheira do Atlas, e o seu nome tem origem berbere, significando “Terra de Deus”. Fundada pelos almorávidas, foi capital do império islâmico e atualmente está dividida em duas partes: a Medina e Guéliz.

A principal atração em Marraquexe são definitivamente os encantadores de serpentes em Jemaa el-Fnaa.

LUXO ÁRABE. No hotel Royal Palm Marrakech, com 230 hectares, o preço por noite vai até 5 mil euros

LUXO ÁRABE. No hotel Royal Palm Marrakech, com 230 hectares, o preço por noite vai até 5 mil euros

Andar a pé pelas muralhas fortificadas é a melhor forma de conhecer a medina de Marraquexe, a zona histórica da cidade que está classificada como Património da Humanidade pela UNESCO. A medina é formada por um labirinto de ruelas, onde é possível comprar um pouco de tudo, desde mil e uma especiarias a tapetes, candeeiros, objetos de artesanato ou tajines, utensílios em cerâmica onde se confecionam os tradicionais pratos árabes.

Há oferta de alojamento para todas as carteiras, desde hotéis de luxo (como La Mamounia ou Royal Palm), mas uma das opções mais populares é ficar em 'riads', casas tradicionais marroquinas localizadas nas zonas velhas. Esta é também uma das opções mais económicas em Marraquexe, onde há mais de sete centenas de 'riads'.

RIADS. Uma opção de alojamento é ficar em riads, casas tradicionais marroquinas dentro da zona velha das cidades

RIADS. Uma opção de alojamento é ficar em riads, casas tradicionais marroquinas dentro da zona velha das cidades

Além dos encantadores de serpentes em Jemaa el-Fnaa, Marraquexe tem várias atrações, desde jardins, palácios ou mesquitas. Recomendada, é a visita ao Jardim Majorelle no centro da cidade, criado pelo pintor francês Jacques Majorelle e inspirado nos jardins islâmicos, com o objetivo de obter paz interior. O jardim abriu ao público em 1947, mas após a morte de Jacques Majorelle ficaram ao abandono e em mau estado até 1980, altura em que foi comprado e recuperado pelo costureiro francês Yves Saint Laurent e o seu companheiro Pierre Bergé. É lá que está sepultado Yves Saint Laurent, argelino de origem e que viveu em Marraquexe.

JARDIM MAJORELLE. Criado em Marraquexe pelo pintor Jacques Majorelle, foi comprado por Yves Saint Laurent e Pierre Bergé em 1980, e é lá que o costureiro francês está sepultado

JARDIM MAJORELLE. Criado em Marraquexe pelo pintor Jacques Majorelle, foi comprado por Yves Saint Laurent e Pierre Bergé em 1980, e é lá que o costureiro francês está sepultado

Antiga capital imperial do sul de Marrocos, Marraquexe tem quase mil anos. Foi fundada em 1062 pelo sultão almorávida Yussef ben Tachfin e transformou-se num dos principais centros culturais e artísticos do mundo muçulmano. Com a chegada ao poder da dinastia saadi, a cidade tornou-se capital do reino de Marrocos, e inevitavelmente acabou por ser cobiçada pelos portugueses.

ATLAS. A meia hora de Marraquexe, o extenso lago Lalla Takerkoust tem como pano de fundo as montanhas do Atlas

ATLAS. A meia hora de Marraquexe, o extenso lago Lalla Takerkoust tem como pano de fundo as montanhas do Atlas

Casablanca, cidade fundada por portugueses

Fundada por portugueses (que ao chegar apenas viram uma 'casa branca') Casablanca é a capital financeira de Marrocos e também um dos principais alvos da TAP no anunciado reforço de rotas a partir de julho.

“O nosso mais forte reforço da operação em Marrocos será em Casablanca, onde passamos a ter dois voos diários em horários que sirvam o passageiro de negócios, com um voo de manhã e outro de regresso à noite”, explica Joaquim Miranda, responsável da TAP pelo mercado de Marrocos.

Os dois voos diários para Casablanca a partir de Lisboa “vêm de encontro ao desejo dos empresários portugueses”, como frisa Abdellatif Achaci, dando os exemplos da Sovena que está com um investimento forte em olival ou dos investimentos hoteleiros do grupo Pestana.

Uma das maiores atrações da Casablanca é a Mesquita Hassan II, que levou sete anos a construir, envolveu 35 mil trabalhadores e tem a particularidade de estar junto ao mar. “Foi inspirada num versículo do Corão que diz que o reino de Deus descansava sobre as águas do mar”, explica o guia Mostafa Maracha. “E Casablanca, como Marrocos inteiro, era um paraíso dos piratas. Até que os colonizadores a mando do rei D. Fernando de Portugal decidiram acabar com os piratas em Marrocos”.