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Juros da dívida em 3%

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Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos fecharam esta sexta-feira em baixa para 3,08%. Foi a segunda maior queda diária do ano. Em termos semanais, registaram a maior descida nos periféricos do euro. No entanto,a rentabilidade anual agravou-se em relação à semana anterior

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência a 10 anos desceram 36 pontos base no mercado secundário da dívida durante a semana. Fecharam esta sexta-feira em 3,082% na linha obrigacionista que vence em julho de 2026, segundo a Bloomberg. Em relação ao pico do ano em 4,53% durante a quinta-feira negra de 11 de fevereiro já caíram perto de 1,5 pontos percentuais.

Naquele prazo de referência, registou-se esta sexta-feira a segunda maior queda diária do ano das yields, depois da ocorrida a 12 de fevereiro. Hoje e no dia anterior, as yields desceram meio ponto percentual.

A tomada de posição esta semana da agência de rating Moody’s dando nota positiva à passagem de um OE “mais realista” na Assembleia da República ajudou a acelerar a redução do stresse na dívida portuguesa.

Se for tomada como referência a linha obrigacionista que vence em outubro de 2025, as yields desceram esta sexta-feira para menos de 3%, fechando em 2,98%, o que já não se registava desde 5 de fevereiro.

Em termos semanais, a descida das yields das OT no prazo a 10 anos destacou-se no quadro dos periféricos da zona euro. As yields para as obrigações espanholas naquele prazo desceram 12 pontos base, no caso das obrigações italianas caíram oito pontos base, no caso grego recuaram cinco pontos base e, no caso irlandês, perderam quatro pontos base.

A semana registou uma trajetória de baixa nas yields das obrigações dos periféricos fruto de uma forte expetativa no sentido do Banco Central Europeu (BCE) vir a adotar mais medidas de estímulo monetário na reunião de 10 de março. Expetativa positiva que foi reforçada com as recomendações ao BCE por parte do Fundo Monetário Internacional, no documento preparado para a reunião do G20 em Xangai que se iniciou hoje.

Prémio de risco abaixo de 300 pontos

Em virtude do movimento de descida das yields da dívida obrigacionista dos periféricos, o prémio de risco da dívida de longo prazo daqueles países desceu durante a semana, com destaque para as reduções nos casos grego (um recuo de 45 pontos base) e português (menos 30 pontos base). O prémio de risco da dívida portuguesa desceu para menos de 300 pontos base, tendo fechado em 293 pontos base, o equivalente a um diferencial de 2,93 pontos percentuais em relação ao baixíssimo custo de financiamento da dívida alemã.

A diferença entre, por um lado, o prémio de risco português e, por outro, os prémios de risco espanhol e italiano encurtou-se esta semana um pouco mais, com uma redução mais acentuada em relação ao nosso vizinho peninsular.

O preço dos credit default swaps (acrónimo cds) que funcionam como contratos de proteção contra o risco de incumprimento da dívida desceu esta semana para Portugal, Espanha e Itália, destacando-se a redução no caso português. Para a dívida irlandesa e grega, o custo dos cds aumentou. O preço dos cds para a dívida portuguesa a 5 anos desceu para 311,90 pontos base, o que significa que o tomador do cds tem de pagar 3,12% do valor a cobrir.

Apesar da tendência de baixa no mercado secundário da dívida e no mercado dos cds, a rentabilidade nas últimas 52 semanas de toda a dívida obrigacionista portuguesa piorou; a rentabilidade negativa passou de -3,94% para -4,72%.

No final desta semana, Portugal passou a contar com a Grécia neste “clube” de rentabilidade negativa, mas continua a manter a liderança. No caso da dívida grega, a rentabilidade anual sofreu uma quebra muito assinalável de 7,54% a 19 de fevereiro para -2,02% a 26 de fevereiro.

  • Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos descem no mercado secundário para níveis próximos de 3%. O recuo lidera as descidas nos periféricos do euro. Juros já desceram mais de 1 ponto percentual desde o pico em 4,5% a 11 de fevereiro