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Novo Banco quer despedir mais de 500 trabalhadores

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Alberto Frias

Notícia surge um dia depois de terem sido apresentados prejuízos de €980,6 milhões. O Expresso sabe a administração já esteve reunida com a comissão de trabalhadores e os sindicatos do sector. “Vamos lutar pela suspensão desta medida”, dizem os trabalhadores

No âmbito da reestruturação do Novo Banco, o número de trabalhadores a sair do antigo BES ascendia a 1000 quadros já em 2016, mas o número foi cortado. Em cima da mesa está agora para esse efeito um despedimento coletivo que abrangerá 500 trabalhadores do grupo, aos quais se vão juntar funcionários que sairão por negociação - número esse que não é conhecido -, seja por mútuo acordo ou reformas antecipadas.

Na apresentação das contas de 2015, quarta-feira, o presidente do banco, Eduardo Stock da Cunha, não revelou números. Disse apenas que estavam a ser negociadas saídas por mutúo acordo com alguns quadros do banco, como referiu quarta-feira ao Expresso. "Estamos a abordar alguns trabalhadores e a negociar as suas saídas por acordo."

Esta quinta-feira de manhã, a gestão do banco, depois de reunir com a comissão nacional de trabalhores, deu a conhecer os números das saídas em cima da mesa. Na carta, a que o Expresso teve acesso, a comissão de trabalhadores do banco diz que não aceita nem pactua "com despedimentos colectivos no nosso banco". E apela em carta enviada aos trabalhadores que "não assinem qualquer documento sem previamente consultarem a comissão nacional de trabalhadores ou o seu sindicato".

A comissão de trabalhadores do Novo Banco refere em comunicado, emitido depois da reunião com a administração liderada por Eduardo Stock da Cunha, que será informada dos critérios a serem utilizados, "bem como das estruturas que poderão vir a encerrar". Os representantes dos trabalhadores do grupo afirmam que "não faz sentido qualquer plano de reestruturação sem uma definição clara do que se pretende para o Novo Banco". "Vamos lutar por outra forma de solução e pela suspensão desta medida." Ou seja, "pela manutenção dos postos de trabalho e pela manutenção dos direitos adquiridos". E acrescentam que vão solicitar de novo audiências ao primeiro-ministro, ministro das Finanças, ministro do Trabalho, governador do Banco de Portugal e grupos parlamentares , de forma "a manifestar o nosso absoluto repúdio com esta tentativa de despedimento coletivo".

O plano de reestruturação acordado entre a gestão do Novo Banco e Direção-Geral de Concorrência Europeia pressupunha a redução de 1000 trabalhadores e um corte dos custos operacionais de 150 milhões de euros em 2016. Entretanto, o banco começou a negociar a saída por acordo com alguns trabalhadores, assim como reformas antecipadas. Segundo apurou o Expresso junto do Novo Banco, a fasquia dos trabalhadores a sair em 2016 será inferior a 1000.