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Ricardo Monteiro. "Vou dedicar-me à Casa do Publicitário"

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Nuno Fox

Ricardo Monteiro abandona todas as funções no grupo Havas. A partir de 2017 deixa de ser presidente global e CEO ibero-americano. Causas sociais são os novos projetos

Catarina Nunes

No ano em que completará 60 anos, em 2017, Ricardo Monteiro vai abandonar o grupo publicitário de origem francesa, Havas Worldwide, do qual é presidente global e CEO ibero-americano. A partir dessa data irá dedicar-se a fazer "coisas bonitas", como criar a Casa do Publicitário, para acolher estes profissionais na velhice.

"Fizeram-me chairman mundial, o que é que posso querer mais? A única motivação passou a ser ganhar mais dinheiro, mas ainda não inventaram um caixão com gavetas para levar o dinheiro", explica Ricardo Monteiro ao Expresso, em conversa telefónica a partir do Brasil. "Achei que era um bom momento para sair. Cumpri a minha missão, as agências estão muito sólidas e os dois últimos anos foram excelentes para a Havas", acrescenta o publicitário português para justificar a saída ao fim de 17 anos ao serviço do grupo francês.

No entanto, terão sido razões familiares (conhecidas das pessoas mais próximas) que estiveram por trás da decisão de deixar os cargos no grupo Havas, que o obrigavam a viver fora de Portugal e a viajar muito. "Vou dedicar-me a fazer coisas bonitas no meu país, mesmo que não seja remunerado. Quero criar uma casa de apoio ao publicitário em fim de vida, a Casa do Publicitário, como há a Casa do Artista", avança Ricardo Monteiro, excluindo a hipótese de se manter na publicidade como consultor.

"Ninguém diga 'desta água não beberei', mas neste momento não tenho vontade de voltar à publicidade como negócio. Se me pedirem opiniões graciosas, tudo bem", remata.
A saída de Ricardo Monteiro foi anunciada esta quarta-feira à tarde, através de um comunicado interno, assinado por Yannick Bolloré, chairman e CEO do grupo Havas, e Andrew Bennet, CEO global da Havas Worldwide e da Havas Creative Group. No texto, estes dois responsáveis máximos da Havas referem que a saída do gestor português dá-se em sequência de um pedido do próprio.

Em relação à sucessão, Yannick Bolloré e Andrew Bennet avançam que Thomas Funk, diretor-geral da Havas para a Europa, assumirá as funções de Ricardo Monteiro na Península Ibérica, enquanto a solução para as responsabilidades na América Latina será anunciada nas próximas semanas. A gestão em Portugal não deverá sofrer alterações, mantendo-se os atuais CEO's.