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Novo Banco só terá lucros em 2018

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Alberto Frias

O Novo Banco tal como existe com a carteira de crédito “tóxica” e elevado peso da carteira de imobiliário vai continuar a registar perdas mais dois anos

Eduardo Stock da Cunha, o presidente do Novo Banco que fechou o ano de 2015 com prejuízos de 980,6 milhões de euros, afirmou esta quarta feira que o banco só regressará aos lucros em 2018. Em causa está a herança pesada em termos de créditos a grandes empresas do antigo BES (na qual foi necessário proceder à restruturações, anular juros e constituir imparidades) e uma carteira de crédito imobiliário (ativos não core) demasiado pesada para o balanço do banco. Stock da Cunha sublinhou por várias vezes que o negócio bancário está a evoluir de forma positiva e que o "Novo Banco é um dos bancos mais capitalizados do sistema a seguir ao Santander Totta". O banco fechou 2015 com um rácio de capital de 13 por cento e por isso "é um banco sólido onde as pessoas podem confiar".

Isto apesar do "provisionamento bastante elevado que fizemos em 2015. Fomos o banco com o maior nível de provisões e imparidades , 1058 milhões de euros, dos quais 592 milhões herdados do ex-BES ", adianta Stock da Cunha.

O líder do Novo Banco chama ainda a atenção para a brutal carteira de crédito imobiliário que "infelizmente ainda temos -2,8 mil milhões - , e passaríamos bem sem ela". Sem este legado o Novo Banco poderia atingir lucros já em 2017, refere.

Ao longo da conferência de apresentação de contas, Stock da Cunha elogiou diversas vezes os colaboradores do banco por estes terem responderem de forma eficiente ao trabalho que tem sido feito desde setembro de 2014, quando assumiu a liderança.

Metas para 2016

Depois de um ano de forte desalavancagem - o crédito diminuiu 6,6 por cento e os depósitos cresceram 2,8 por cento em 2016 -, o presidente do Novo Banco quer aumentar o resultado operacional de 125 milhões de euros em 2015 para 230 milhões. "Nenhum banco sobrevive com o resultado operacional registado em 2015".

Mas quer mais . Quer que os depósitos cresçam 6 por cento, obter resultados nas recuperações de crédito em torno dos 200 milhões de euros e conseguir 700 milhões na venda de imóveis em carteira.

O gestor faz questão de dizer que o banco está a reposicionar-se como um banco de apoio às pequenas e médias empresas (PME) e a desinvestir nas grandes empresas porque é por esta via que conseguirá atingir uma maior rentabilidade.