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Brasil deve ficar em recessão até 2018, prevê agência Moody's

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A Moody's desceu o 'rating' da dívida brasileira para um nível abaixo do nível de investimento, tradicionalmente conhecido por 'lixo' ou 'junk'

A agência de notação financeira Moody's previu hoje que o Brasil deve permanecer em recessão até 2018, com um crescimento negativo médio de 0,5 por cento e com os juros a valerem mais de 20% das receitas do Governo.

"Esperamos um crescimento negativo do PIB, em média, de 0,5% entre 2016 e 2018 e, adicionalmente, esperamos que as taxas de juro se mantenham elavadas em termos reais, o que vai contribuir para uma dívida pública pouco sustentável, com os pagamentos dos juros a representarem mais de 20% das receitas do Governo", escreve a agência de notação financeira.

Na nota onde explica os fundamentos para a descida do 'rating' para um nível abaixo do nível de investimento, tradicionalmente conhecido por 'lixo' ou 'junk', a Moody's afirma que "a revisão em baixa do 'rating' para Ba2 revela essa deterioração [da dívida pública e das dificuldades políticas] em curso, ao passo que a Perspetiva de Evolução Negativa contempla os riscos de uma deterioração acrescida do perfil de crédito do Brasil que surge dos choques macroeconómicos, disfunção política mais profunda e a necessidade de [o Governo] apoiar as entidades públicas".

No plano político, a segunda das duas grandes justificações para a descida do 'rating', a Moody's sublinha que "apesar de as discussões sobre reformas estruturais serem um desenvolvimento positivo, a sua aprovação pelo Congresso será difícil dado o limitado apoio ao Governo e os desafios políticos atuais da Presidente", a braços com uma popularidade baixa e variadas críticas até de proeminentes membros do seu partido.

"Um apoio político fraco ao Presidente e ao seu Governo oferece uma fraca perspetiva de se conseguir aprovar reformas mais abrangentes no período em análise", conclui a Moody's.

Para além da descida do 'rating', o Brasil viu ainda a sua Perspetiva de Evolução degradada para Negativa, o que mostra que, no entender da Moody's, a situação deverá piorar nos próximos 12 a 18 meses, o período típico destas análises.

"O 'rating' de Ba2 reflete a assunção de que o perfil de crédito se vai deteriorar nos próximos dois anos, mas a perspetiva negativa reflete a incerteza que rodeia a interação entre as dinâmicas políticas, económicas e financeiras no Brasil e, por conseguinte, o potencial para que mais choques se materializem, o que, por sua vez vez, colocará mais pressão sobre o perfil de crédito soberano", diz a agência de notação financeira.