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PCP propõe nacionalização do Novo Banco

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nuno botelho

“Já que pagámos o banco, ao menos que fiquemos com ele”, sustentam os comunistas. Vítor Bento, em entrevista ao “Diário Económico”, já tinha avançado com esta hipótese

O PCP anunciou esta terça-feira que apresentará uma proposta para a nacionalização do Novo Banco, defendendo que uma vez que o Estado pagou pela resolução do antigo BES, deverá ficar responsável pela instituição financeira.

“O PCP apresenta hoje mesmo uma proposta de nacionalização do Novo Banco e da sua manutenção na esfera pública. É fundamental que, já que pagámos o banco, ao menos que fiquemos com ele”, afirmou o deputado comunista Miguel Tiago, no segundo dia do debate parlamentar da proposta de Orçamento do Estado para 2016 (OE 2016).

Estas declarações surgem depois de Vítor Bento, ex-presidente do BES, ter dito em entrevista ao “Diário Económico” que a nacionalização do Novo Banco “seria uma saída possível”. Tudo em nome de uma consolidação bancária a pensar no “futuro”.

No debate desta terça-feira no Parlamento, e além da questão do Novo Banco, o deputado do PCP Manuel Tiago colocou ainda várias questões sobre a Caixa Geral de Depósitos (CGD), interrogando o ministro das Finanças, Mário Centeno, sobre o banco: “Qual é a avaliação que o Estado faz das necessidades de capital da CGD? Qual o cabimento orçamental que está neste momento preparado para poder ser colocado a disposição de uma capitalização da CGD?”, questionou.

Isto porque, considerou Miguel Tiago, “a Caixa infelizmente tem vindo a ser gerida ao sabor das necessidades do sistema financeiro privado”, em vez do “interesse nacional”.

Lembrando notícias que dão conta da instabilidade de outras instituições bancárias em território nacional, o deputado do PCP interrogou: “qual é a dimensão dos recursos públicos que o Governo equaciona colocar à disposição das instituições?”.

“Não pode acontecer um novo caso Banif, caso BES/Novo banco, nos próximos anos. Porque isso revelou o Estado a ser utilizado como instrumento de extorsão dos portugueses para pagar os erros dos banqueiros”, considerou Miguel Tiago.

Na resposta ao deputado, o ministro das Finanças reiterou que a estabilização do sistema financeiro “é uma enorme preocupação deste Governo”.

Sobre a CGD, Mário Centeno disse que é “muito importante para o Governo, não só a capitalização, mas a resolução de problemas estruturais da CGD”, que serão tratados com “enorme sentido de responsabilidade” pelo executivo socialista.

Nesta ronda de questões colocadas ao ministro das Finanças, o deputado do CDS Hélder Amaral aproveitou para afirmar que PCP e Bloco de Esquerda vão votar a proposta de OE2016 favoravelmente porque mantém os partidos “no poder” e porque o documento é um “instrumento de poder”.

Já o deputado do PSD Duarte Pacheco acusou BE e PCP de agora concordarem com medidas das quais discordavam quando eram apresentadas pelos partidos à direita: “Como são os senhores a propor, são agora bons. Esta é a verdade desta geringonça”, considerou.

O deputado social-democrata considerou ainda que a proposta de OE2016 “não tem pai” e que PS e os partidos à esquerda “têm vergonha do documento que apresentaram aos portugueses”.