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Mais 180 desempregados. Finsa fecha em abril base da ex-Jomar em Matosinhos

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A galega Finsa concentra em Nelas o fabrico de painéis de madeira em Portugal. A produção em Matosinhos fecha em abril

Nove meses depois de concluir a ampliação fabril da fábrica de Nelas (Viseu), a galega Finsa fecha a base da ex-Jomar, em Matosinhos. São 180 pessoas que seguem para o desemprego. No fim de Abril as linhas da ex-Jomar cessam a produção de painéis de madeira. No fim do ano a fábrica e o espaço fabril de 22 hectares em que armazena a madeira são devolvidos ao senhorio, uma imobiliária da família Costa Leite, da Vicaima.

Este mês, através de reuniões sectoriais, a administração da Luso Finsa comunicou aos trabalhadores da ex-Jomar a notícia do encerramento. Um primeiro contingente (cerca de 20), abrangendo os mais idosos já saíram em janeiro.

A grande maioria termina o vínculo laboral no fim de abril. Depois, os despedimentos são faseados, de acordo com a função e o programa de desmantelamento do equipamento fabril.

Na reunião, a Luso Finsa entregou a carta de despedimento a cada trabalhador e vai pagar a cada um a indemnização de acordo com a lei (um mês de salário por cada ano até 2011 e 20 dias depois dessa altura).

Este é um desfecho anunciado há dois anos e decorre da concentração fabril em Nelas. No início de 2014, o conglomerado galego anunciara à comunidade laboral da ex-Jomar a intenção de desativar Matosinhos, apelando à mobilidade para o polo de Nelas. Mas, as condições não se terão revelado atrativas e foram poucos os trabalhadores que aceitaram a transferência. Desta vez, a hipótese de transferência não foi colocada. A ampliação do polo de Nelas criou mais 50 empregos.

Senhorio avisado

Contactada pelo Expresso, a Finsa, respondeu que “só dentro de 15 dias estará em condições de comentar o tema ou facilitar mais detalhes”. A Vicaima, dona do espaço fabril, confirmou ao Expresso que “em conversa informal” já fora avisada de que a Luso Finsa tenciona entre o fim de 2016 e o primeiro trimestre de 2017, desocupar as instalações.

A família Costa Leite diz ao Expressso não “tem nada pensado” para o aproveitamento dos 22 hectares e esse asunto só entrará na agenda “quando o contrato cessar e o ativo ficar liberto”.

O enorme espaço fabril fica entalado entre uma zona comercial do Mar Shopping (Ikea) e o projeto do Norte Center, já licenciado, em fase inicial de execução.

O Norte Center transforma o antigo terminal da Tertir numa pequena cidade de negócios e comércio com cinco polos e um investimento, a 15 anos. de 130 milhões de euros.

Com 27 hectares e um índice de construção de 0,9m2/m2 de terreno, o novo loteamento acolherá um Business Park, um parque de ciência e tecnologia, hotel e centro de congressos, um retail park e uma zona de escritórios e residencial de onde se destaca o edifício de oito pisos que acolherá a nova sede da Mota-Engil.

Instalações alugadas

Em 1988, o nome de Álvaro da Costa Leite fizera as manchetes dos jornais ao pagar 10 milhões de contos (50 milhões de euros) pela Jomar, um símbolo da fileira da madeira e firmando a maior aquisição industrial portuguesa à época.

O destino da fábrica de aglomerados de madeira terá ficado traçado quando, em 2005, a aquisição pela Finsa descartou o ativo imobiliário, ficando apenas com as marcas e a operação fabril. Na altura, a família Costa Leite deixava o negócio dos aglomerados e incluía no acordo com a Finsa uma contrato de arrendamento do espaço fabril.

A unidade faturava, então, 62 milhões de euros e assegurava 400 empregos. O contrato de arrendamento foi depois renovado, mas a Finsa poderia sair a qualquer momento. A Vicaima garante que “nunca fez a menor pressão” para a Finsa sair.

A expansão em Nelas foi a estocada final. O investimento ganhou o estatuto de projeto de potencial interesse nacional (PIN), beneficiando de incentivos fiscais e apoios comunitários pela criação de emprego e caráter exportador. Além disso, a instalação a nova linha contou com a generosidade da autarquia local que cedeu o lote industrial de cinco hectares a preço simbólico

Na altura da assinatura do contrato PIN, o conglomerado galego realçou que corrida ao reforço de capacidade e no fabrico de uma gama gama de painéis mais flexíveis e maior valor acrescentado Nelas vencera a concorrência interna de bases de Espanha e sul de França. Mas, Nelas poderia também acolher a linha superpan em que Matosinhos se especializara.

Em julho, o ministro Paulo Portas inaugurou a ampliação. Depois de testar e afinar a nova linha, a Luso Finsa ficou em condições de encerrar Matosinhos. Este é o caso mais recente e de maior dimensão do efeito perverso da racionalização fabril através de concentrações. A Unicer (encerramento em Santarém) ou a conserveira Ramirez (desativou Peniche) são outros exemplos de PIN que conduziram a despedimentos noutros locais.

Com sede na Corunha, a Finsa é líder ibérico, à frente da Sonae Indústria no fabrico de aglomerados e produziu em Portugal, em 2014, 140 milhões de euros, um sexto a sua produção total. Conta com 13 fábricas em Portugal, Espanha e França e 3000 assalariados (cerca de 500 em Portugal, incluindo uma fábrica de colas e químicos em Aveiro).