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Teodora Cardoso. Desincentivo à poupança e ao investimento é condenação ao futuro

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A presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP), Teodora Cardoso, lembra que a economia não pode crescer se não houver investimento, e que a política económica não pode basear-se no crescimento da dívida

A presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP), Teodora Cardoso, considerou hoje que o desincentivo à poupança e investimento é uma condenação ao futuro porque a economia não pode crescer se não houver investimento.

“A economia não pode crescer se não houver investimento, sobretudo quando queremos aumentar a produtividade, condição indispensável ao crescimento”, disse Teodora Cardoso numa intervenção subordinada ao tema “Melhor Contabilidade, Condição de Planeamento e Gestão Eficaz da Despesa Pública”, no âmbito de uma conferência organizada pelo Instituto Politécnico do Porto (IPP).

E alertou: “por outro lado, as despesas públicas têm de ser geridas porque geridas é coisa que nunca foram verdadeiramente”.

Segundo Teodora Cardoso, a evolução observada ao longo das últimas décadas conduz a uma conclusão inescapável: a necessidade de profunda reorientação da política económica e orçamental no sentido de efetivamente promover ganhos de produtividade e de emprego, as únicas bases estáveis do crescimento económico.

No domínio orçamental, a economista explicou que é necessário encarar a política fiscal como um instrumento de incentivo ao crescimento e à competitividade da economia e gerir as despesas públicas para obter ganhos de eficiência que permitam assegurar a capacidade do Estado, pondo fim aos desperdícios.

Na opinião da presidente do CFP, tanto quanto à política fiscal como à gestão das despesas públicas deve haver uma preocupação com o seu impacto no crescimento da economia e do emprego, não na ótica do curto prazo e do ciclo eleitoral, mas na perspetiva da sua competitividade num enquadramento global em rápida mutação e pleno de riscos.

Teodora Cardoso voltou a defender uma alteração radical do processo orçamental português e a sua articulação com uma política económica dirigida ao crescimento sustentado da economia que não pode basear-se no crescimento da dívida, quase exclusivamente externa.

Sobre o Orçamento do Estado, Teodora Cardoso escusou-se a falar, dado ter uma audição marcada na Assembleia da República no início de março.