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Quem são os chineses que vão entrar na TAP

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O grupo HNA começou como operador de transporte aéreo, em 1993, e hoje tem ativos no valor de €80,5 mil milhões

STRINGER / AFP PHOTO

Foi um dos interessados na ANA e está a comprar a espanhola Air Europa. A estratégia é de aquisições... milionárias

Acaba de pagar, esta semana, €5,4 mil milhões pela Ingram Micro, protagonizando a maior aquisição de uma tecnológica americana por parte de uma companhia chinesa. Mas é na indústria da aviação que o grupo HNA tem estado mais ativo.

Em julho, investiu €2,5 mil milhões na aquisição da operadora de handling Swissport. Em setembro comprou o operador irlandês de leasing de aviões Avolon (através da sua subsidiária China’s Bohai Leasing), por €5,6 mil milhões. E em novembro anunciou ter €428 milhões para ficar com 23,7% da companhia aérea brasileira Azul, de que um dos novos donos da TAP é presidente e fundador. Agora, conforme o Expresso noticiou há uma semana, sabe-se que o novo dinheiro que vai ser emprestado à TAP será chinês, sendo que o grupo HNA poderá ficar indiretamente com 10% a 13% da TAP.

No memorando de entendimento que fechou a recompra de ações pelo Estado (que ficou com 50% da TAP), assinado entre o Governo e o consórcio privado Atlantic Gateway (dos empresários Humberto Pedrosa e David Neeleman), “o Estado português autoriza desde já a entrada no capital social da Atlantic Gateway pela HNA, em percentagem a acordar entre os acionistas da Atlantic Gateway e a HNA”.

Mas o que é o grupo HNA? O Expresso contactou o grupo, em Pequim, pedindo-lhe que detalhasse a sua atividade e interesses na Europa mas não obteve respostas. A estratégia de aquisições que tem levado a cabo nos últimos anos, porém, é reveladora de uma ambição global e mostra que há muito que pisca o olho à Europa.

A expansão do grupo, que começou como operador de transporte aéreo, em 1993, tem sido conduzida por Chen Feng, que conseguiu um investimento direto de George Soros, de 25 milhões de dólares (€22,5 milhões), em 1995, que entretanto o empresário e investidor americano duplicou em 2005. Hoje pode ler-se no seu site que o grupo HNA atua nos sectores da aviação, turismo, imobiliário e logística.

Detém ativos no valor de €80,5 mil milhões, que geraram €25,5 mil milhões de receitas em 2015, e conta com cerca de 180 mil trabalhadores no mundo. No sector da aviação tem uma frota de 820 aviões, serve quase 700 rotas e 77,7 milhões de passageiros por ano. Opera e gere as companhias Tianjin Airlines, Deer Jet, Lucky Air, Capital Airlines, West Air, Fuzhou Airlines, Urumqi Air, Beibu Gulf Airlines, Yangtze River Airlines, Guilin Airlines, My Cargo, Africa World Airlines, Aigle Azur e a Hainan Airlines, que está cotada em Hong Kong e tem relações acionistas com a Grand China Air, que tem capital público chinês, da província de Hainan. É também o quarto maior operador mundial de leasing de aviões (com mais de 220 aeronaves).

Aquisições em Espanha

Mesmo aqui ao lado, em Espanha, está a fechar um acordo com a Globalia — que integra a companhia aérea Air Europa, a Halcón Viajes, a Travelplan e a cadeia hoteleira beLive, para comprar 48% do seu capital. A Globalia chegou a partilhar com a TAP o capital da operadora de handling Groundforce e a Air Europa (segunda maior companhia aérea de Espanha) mostrou vontade em entrar no processo de privatização da transportadora portuguesa em 2014, mas desistiu. Segundo a imprensa espanhola, o grupo HNA exigiu ter no futuro poder de veto para poder controlar o desenvolvimento corporativo da Globalia, o que foi determinante para que as negociações tivessem terminado bem.

O grupo HNA já está presente em Espanha, onde conta com uma participação de 29,5% na NH Hoteles. A nível global, detém e gere uma rede de mais de 200 agências de viagens, 1100 carros para aluguer, 450 hotéis, imobiliário (lojas, outlets e supermercados que totalizam 1,2 milhões de metros quadrados), 50 navios cargueiros com uma capacidade de transporte anual superior a 46 milhões de toneladas e um fundo industrial de €1,6 mil milhões.

De resto, gere 13 aeroportos na China e foi uma das entidades que levantou o memorando informativo da privatização da ANA em 2012. Agora, na TAP, compromete-se a realizar um empréstimo de €120 milhões à companhia aérea brasileira Azul, destinado à compra de obrigações convertíveis da TAP a 10 anos.