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Portugal no topo das escolhas para congressos

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Joana Viana

Médicos e criativos apontam Lisboa para os seus encontros. Trojan Horse was a Unicorn consegue apoios para não sair de Troia

Até domingo, 1800 médicos de diversos países estão reunidos em Lisboa para o Congresso Mundial de Esclerodermia que começou na sexta-feira. Ao longo de 2016, o Centro de Congressos de Lisboa vai receber vários outros eventos médicos com milhares de participantes, como o congresso mundial de acesso vascular em junho, o congresso europeu de medicina geriátrica ou a bienal internacional de cancro ginecológico em outubro, só para citar alguns exemplos.

“Lisboa tem ganho prestígio e sentimos hoje uma maior facilidade em ganhar eventos. Ao concorrermos com outros destinos somos sempre fortes candidatos, e há anos não era assim, era mais difícil”, constata Vítor Costa, diretor-geral do Turismo de Lisboa.

O maior evento profissional alguma vez realizado em Portugal, o congresso europeu da diabetes, que decorreu em Lisboa em 2011 com 18 mil participantes, vai voltar em setembro de 2017, e outro megaevento médico que virá no próximo ano à capital portuguesa, mobilizando 10 mil congressistas, é a conferência europeia das cataratas e cirurgia refrativa.

Congresso Espírita Mundial traz 2 mil pessoas a Lisboa

Apesar de “a maior parte dos nossos congressos ser da área de medicina”, como refere Vítor Costa, há uma energia nova nos eventos que estão a ser atraídos por Lisboa, e com uma diversidade de espectro cada vez maior. Além do mediático caso do Web Summit, conferência mundial de tecnologia, empreendedorismo e inovação com 20 mil participantes, que trocou Dublin por Lisboa em 2016, também a feira de arte contemporânea de Madrid, a ARCO, decidiu este ano ter uma edição internacional, e escolheu Lisboa para o fazer (vai decorrer de 26 a 29 de maio na Cordoaria de Lisboa).

E os exemplos multiplicam-se. No calendário de congressos para 2016 da Lisbon Convention Bureau (departamento do Turismo de Lisboa responsável pela captação de congressos e incentivos), destacam-se, entre os eventos com alguma dimensão, o Congresso Espírita Mundial que vai decorrer em outubro no Meo Arena com 2000 pessoas ou o fórum anual de profissionais da L’Oreal com 1500 participantes.

O Trojan Horse was an Unicorn traz anualmente a Troia criativos digitais de todo o mundo que dão suporte à indústria de cinema ou videojogos e atrai as principais empresas de Hollywood, como Disney, Pixar ou Blizzard, o gigante dos videojogos. O evento esteve para sair de Portugal em 2016, foi disputado por nove países, mas acabou por conseguir apoios para continuar em Troia. Vai decorrer de 19 a 24 de setembro

O Trojan Horse was an Unicorn traz anualmente a Troia criativos digitais de todo o mundo que dão suporte à indústria de cinema ou videojogos e atrai as principais empresas de Hollywood, como Disney, Pixar ou Blizzard, o gigante dos videojogos. O evento esteve para sair de Portugal em 2016, foi disputado por nove países, mas acabou por conseguir apoios para continuar em Troia. Vai decorrer de 19 a 24 de setembro

Joana Viana

Evento digital teve como único apoio... dois porcos

Mas nem sempre é fácil organizar congressos ‘diferentes’ em Portugal. O Trojan Horse was an Unicorn, evento mundial de criativos digitais que dão suporte ao cinema ou videojogos, e que anualmente traz a Troia participantes de 59 países (como representantes da Disney ou da Pixar), esteve a um fio de sair do país em 2016 por falta de apoios. No ano passado, o único apoio que recebeu foram dois porcos oferecidos pela câmara de Grândola (e que foram usados para churrasco), apesar das solicitações ao Turismo de Portugal.

“É um evento para fazer jogos e séries de animação, e considerado o melhor do mundo na área. O problema é que este mercado não existe em Portugal, onde a criatividade é associada ao ‘artista pobrezinho’, e esta mentalidade tem de mudar rapidamente”, considera André Lourenço, organizador do evento em Troia, onde tem como sócio Scott Ross, produtor de Hollywood parceiro de George Lucas. “Estamos a falar da nata de Hollywood”, frisa, lamentando que o evento que nasceu em 2013 em Troia “com zero de apoios nacionais” não tenha projeção em Portugal, porque “as pessoas não entendem o que é a nossa área”.

Foi anunciado que o evento ia sair de Troia em 2016, mas segundo André Lourenço tudo mudou in extremis, graças à “insistência e boa-vontade” de João Vasconcelos, secretário de Estado da Indústria, que lhe ligou em janeiro — ficando acordados apoios de 10% a 15% num orçamento de €1,2 milhões — já com o evento a ser disputado por nove países, como Espanha, França, Itália ou África do Sul. “Acabei por escolher a pior proposta, tinha países a pagar três vezes mais, mas fiquei feliz. Sou de Setúbal e acho Troia espetacular, é o sítio perfeito para o evento.”

Lembrando que todos os 600 bilhetes a €600 cada ficaram esgotados numa semana, ainda sem localização definida, o organizador frisa que “o evento tem muito a ver com a criação de emprego”, pois inclui sessões de recrutamento com as maiores empresas mundiais de animação ou videojogos.

O caso mais emblemático de congressos ‘fora da caixa’ é o Web Summit que, segundo Vítor Costa, até “pode trazer alterações a acompanhar com atenção” pelo Turismo de Lisboa, no sentido de trabalhar “a camada mais jovem, onde ainda não somos muito fortes”. A megaconferência de inovação que vai chegar em novembro de 2016, continuará em 2017 e 2018 e com opção de ficar por mais dois anos, promete levar a imagem de Lisboa a outro nível. O próprio presidente da Web Summit, Paddy Cosgrove, não esconde o entusiasmo por esta “cidade mágica e com tanta história“, e já assumiu que escolher Lisboa foi “a melhor decisão” que tomou na vida.