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Stresse na dívida portuguesa abrandou

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Balanço semanal. Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos desceram 1 ponto percentual em relação ao pico de 4,5% na quinta-feira negra de 11 de fevereiro. Grécia e Portugal lideram quedas nos juros e no prémio de risco da dívida

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português no prazo de referência, a 10 anos, fecharam esta semana em 3,44% no mercado secundário. Uma redução de 29 pontos base desde o fecho na semana anterior e de 1 ponto percentual em relação ao pico de stresse deste ano a 11 de fevereiro, quando subiram até 4,5%.

O movimento de descida foi geral em todos os periféricos, mas foi mais acentuado para a Grécia e Portugal. As yields das obrigações gregas no prazo de referência chegaram a descer para menos de 11% na quinta-feira, mas fecharam a semana em 11,04%, menos 43 pontos base (o equivalente a 0,43 pontos percentuais) do que uma semana atrás.

O stresse na dívida portuguesa abrandou esta semana. O ambiente ficou menos tenso depois da ISDA, a Associação Internacional de Swaps e Derivados, deliberar, esta semana, que a transferência de alguma dívida sénior do Novo Banco para o BES “mau”, por decisão do Banco de Portugal, não configurou um evento de crédito. Apesar das advertências sistemáticas de responsáveis de Bruxelas ou do presidente do Eurogrupo (órgão de reunião dos ministros das Finanças do euro) sobre os riscos do OE português para 2016, os analistas não preveem que Portugal seja excluído do programa de compras do Banco Central Europeu (BCE). E poderá beneficiar inclusive de novos estímulos monetários que o BCE possa decidir na reunião de 10 de março.

Os prémios de risco das dívidas dos periféricos da zona euro desceram esta semana para Portugal, Grécia, Itália e Irlanda. O risco espanhol manteve-se inalterado. No caso da dívida portuguesa, o prémio desceu 24 pontos base, de 347 para 323 entre 12 e 19 de fevereiro. A distância em relação aos prémios de risco de Espanha e Itália encurtou-se. Um prémio de 323 pontos base equivale a um diferencial de 3,23 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã. No pico do stresse a 11 de fevereiro, o prémio de risco da dívida portuguesa subiu durante essa quinta-feira para 438 pontos base (mais de 4 pontos percentuais de diferença com o custo de financiamento alemão), um nível que já não se registava desde outubro de 2013.

No entanto, recorde-se que, no final de dezembro do ano passado, o prémio de risco da dívida portuguesa estava em 190 pontos base. O prémio agravou-se, desde então, em mais de 130 pontos base, mais de 1 ponto percentual.

O Tesouro germânico, esta semana, colocou dívida a 10 anos tendo pago uma taxa de remuneração aos investidores de 0,26%, inferior a 0,59% na emissão anterior similar. Mas o Tesouro espanhol pagou mais na emissão a 10 anos desta semana do que na anterior; pagou 1,781% agora contra 1,684% na anterior.

A rentabilidade negativa da dívida obrigacionista portuguesa nas últimas 52 semanas recuou; na sexta-feira fechou em -3,94% face a -4,34% no final da semana anterior. Portugal continua a ser o único país emitente da zona euro registando uma rentabilidade negativa anual. Nem mesmo a Grécia regista tal situação. A rentabilidade média da dívida obrigacionista da zona euro nas últimas 52 semanas está em 1,64%, e duplicou em relação ao final da semana anterior.

O Tesouro português regressou esta semana ao mercado de dívida de muito curto prazo, colocando 1000 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a 3 e 11 meses, tendo pago taxas médias de remuneração mais elevadas do que na operação similar anterior, mas continuando a registar uma boa procura. A 3 meses, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) emitiu 300 milhões de euros pagando uma taxa de 0,008%, quando, na emissão anterior, tinha pago uma taxa negativa de 0,023%, ou seja, uma situação em que os investidores pagaram ao Estado português para deter este tipo de dívida de muito curto prazo. No prazo a 11 meses, o IGCP pagou 0,10%, acima de 0,03% que havia pago em emissão anterior.