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Manuel Azevedo trocou a reforma por uma fábrica de meias

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Pai e filho partilham o nome Manuel Azevedo e o negócio das meias

LUCILIA MONTEIRO

Empresário está a investir €7,5 milhões na MFA e quer duplicar as vendas até 2020

No campeonato das meias, a MFA — Manuel Fernando Azevedo joga com o título de maior produtor da Europa Ocidental e está a trabalhar para consolidar o seu estatuto de líder com um investimento de €7,5 milhões em Famalicão, onde comprou a antiga Fitor. O objetivo é ganhar balanço para calçar cada vez mais pés com uma oferta diversificada, da meia básica ao segmento funcional e técnico.

Em números, o plano em curso prevê um aumento da produção anual de 24 para 35 milhões de pares até 2018, com o volume de negócios a avançar dos €17 milhões para os €25 milhões. Mas Manuel Fernando Azevedo admite que a dinâmica do negócio permite já pensar em novos investimentos. A ambição, diz, “é duplicar as vendas até 2020”.

É um negócio construído sem marca própria, a vender para outras empresas, simplesmente porque impor uma insígnia “custa muito dinheiro e exige tempo. Na verdade, tudo o que a MFA investiu até agora, desde que começou, há 21 anos, num armazém alugado com 400 metros quadrados, não chegaria para impor a sua marca ao mundo”, explica o gestor.

A aventura empresarial começou aos 60 anos, em Santo Tirso, para responder a um desafio de dois filhos. Trocou a área livreira e a reforma à vista pelos têxteis para assumir a administração da nova empresa da família ao lado dos filhos Manuel Flórido e Fernando Manuel, que estavam a descobrir o sector através da venda de equipamentos têxteis.

Fernando Manuel acabaria por sair para uma empresa independente que trabalha com o grupo MFA. Manuel Flórido ficou ao lado do pai, a construir um império feito de meias 100% destinadas à exportação, para clientes como os ingleses da SportsDirect.com, os dinamarqueses da Hummel, os suíços da Rohner ou os americanos da New Balance, fornecedores das meias do FC Porto, Sevilha FC, Celtic ou Liverpool.

Um ano depois da compra da antiga têxtil Fitor e das suas instalações com 32 mil metros quadrados de área coberta, o grupo mantém a fábrica de tricotagem em Santo Tirso e a unidade de acabamentos que comprou à Jacob Rohner em Oliveira de Frades, quando o cliente suíço decidiu deixar de fazer meias para se dedicar apenas à sua comercialização.

Inovar com o CITEVE

Nas novas instalações, a MFA tem, para já, mais uma unidade de acabamentos. Tem, também, a Trivialtex, uma startup da MFA especializada na produção de fio que foi concessionada a antigos quadros da Fitor por um período de oito anos, emprega 49 trabalhadores e deverá faturar €6 milhões em 2016. E está a nascer outra unidade em parceria com a marca irlandesa Ridgeview para produzir meias grossas, com muita lã, que deverá arrancar com 72 teares e 30 pessoas para faturar €3 milhões no primeiro ano de atividade.

Um dos projetos futuros é começar a trabalhar a MFA como marca, mas sem investimentos em marketing. A ideia é apenas “deixar correr e ver o que dá”, diz Manuel Azevedo.

Para avançar mais rapidamente, a MFA tem um projeto de investigação e desenvolvimento a decorrer em parceria com o Citeve — Centro Tecnológico das Indústrias Têxteis e do Vestuário de Portugal para uma solução técnica a paten- tear que ainda está no segredo dos deuses.

A trabalhar para captar clientes que tinham deslocalizado encomendas para a Ásia e estão, agora, a regressar à Europa, a MFA está pronta a seguir as indicações de quem compra, mas também oferece o desenvolvimento do produto, desde a prototipagem às embalagens.

No seu portefólio de soluções funcionais cabem componentes antibacterianas, antifricção, antiestáticas, de regulação térmica, de gestão de suor e de compressão, entre outras.

No mercado, a diversidade de uma oferta à medida de todos os pés reflete-se na amplitude da escala de preços de venda ao público “entre os €4/10 pares e os €60/par”. Na fábrica, um dos indicadores é o tempo de produção: a MFA tricota umas meias em 40 segundos e outras em sete minutos.