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Bolsas sacodem maré vermelha e preço do Brent estabiliza

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Balanço semanal. Foi a primeira semana de fevereiro em que as bolsas registaram ganhos. Mas o mês e o ano continuam em terreno negativo. Grupo de Doha vai monitorizar mercado petrolífero até próxima reunião da OPEP em junho

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais fecharam com ganhos de 3,6% nesta terceira semana de fevereiro, depois de duas semanas em que acumularam perdas de quase 5%, segundo o índice MSCI. Mas o mês de fevereiro continua no vermelho e o índice já se afundou quase 7,5% desde o início do ano.

Os ganhos da semana foram puxados pelas bolsas da Ásia Pacífico que registaram uma subida de 5,9%, segundo o índice respetivo. O índice MSCI para o grupo das economias emergentes registou um ganho semanal de 4,18%. O índice para a região da Europa avançou 3% e o relativo às duas bolsas de Nova Iorque ganhou 2,92%, com o Nasdaq (a bolsa das tecnológicas) a destacar—se com uma subida semanal de quase 3,9%.

As cinco principais praças financeiras ganhadoras

A geografia mundial das maiores subidas semanais (superiores a 5%) em termos de principais índices bolsistas concentra-se na Ásia e na Europa, e inclui o Japão (com o índice Nikkei 225 a liderar o mundo registando um ganho de 6,79%) e Hong Kong, na primeira região, e o Cac 40 de Paris, o RTSI de Moscovo e o AEX de Amesterdão, na segunda.

Nos periféricos da zona euro, as bolsas de Atenas e Dublin lideraram as subidas semanais, registando ganhos superiores a 5%. O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, avançou 3,78%, o Ibex 35 de Madrid subiu 3,45% e o MIB de Milão ganhou 2,39%.

Bancos italianos e alemão sob pressão

Na zona euro, o índice Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas) registou um ganho semanal de 3,9%, mas destacaram-se pela negativa três bancos, o Unicredit italiano que se afundou 2,86%, o Intesa Sanpaolo, também italiano, que recuou 2,84% e o Deustche Bank alemão que perdeu 0,65%. Estes três bancos da zona euro estão entre as cinco principais entidades financeiras da zona euro que acumulam perdas mais elevadas desde o início do ano, juntamente com a Generali italiana e a Société Générale francesa,

Os investidores financeiros alimentam uma expetativa positiva em relação às próximas reuniões em março de três dos mais importantes bancos centrais, o Banco Central Europeu, o Banco do Japão e a Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed). Dos dois primeiros esperam mais estímulos monetários, e do terceiro que mantenha a orientação de prudência, adiando nova subida das taxas de juro. Segundo as probabilidades implícitas nos futuros dessas taxas de juro, a probabilidade de um novo aumento é de, apenas, 38% na última reunião do ano da Fed a 21 de dezembro.

Grupo de Doha secundariza OPEP

No mercado petrolífero, o preço do barril de Brent, a variedade europeia que serve atualmente de referência internacional, estabilizou, esta semana, no patamar dos 33 dólares. Entre 12 e 19 de fevereiro, o preço baixou apenas 0,78%, e manteve-se naquele patamar, ainda que tenha registado 35,55 dólares no dia 16 de fevereiro.

O atual preço está distante do mínimo de 27,10 dólares registado durante a sessão de 20 de janeiro, que, segundo alguns analistas, poderá ter sido o ponto mais baixo do atual ciclo de queda de preços iniciado em junho de 2014. No entanto, segundo outros analistas, o quadro fundamental do mercado petrolífero não se alterou ainda e a volatilidade poderá acentuar-se com novas descidas adiando o final do ciclo baixista que perdura há 20 meses. O anterior ciclo de baixa durou apenas sete meses em 2008.

A geopolítica do mercado petrolífero alterou-se com a secundarização do cartel da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) pelo “grupo de Doha” que vai monitorizar a evolução do mercado até à reunião do cartel em 2 de junho. O grupo de Doha (capital do Qatar) é formado pela Arábia Saudita, Rússia (que não é membro do cartel e que ganha, agora, um papel importante nesta "coordenaçao"), Venezuela (cujo ministro dos Petróleos desempenhou um papel muito ativo nesta iniciativa) e Qatar e acordou, esta semana, em “congelar” a produção do crude em níveis de janeiro (em que se registaram recordes de produção para a Rússia e alguns principais membros do cartel).

O Irão, membro do cartel, considerou essa reunião um “bom começo”, mas mantém um braço de ferro na geopolítica regional com a Arábia Saudita e pretende aumentar os seus níveis de produção e de exportação depois de terminado o embargo em meados de janeiro.

As organizações internacionais, apesar de apontarem para um crescimento da economia mundial superior ao do ano passado, reviram em baixa as suas previsões para 2016. Depois do Fundo Monetário Internacional (FMI) em janeiro, esta semana foi a vez da OCDE, que prevê para este ano um crescimento mundial de 3%, inferior ao projetado pelo FMI que aponta para 3,4%. Olhando para o caso da zona euro, o FMI prevê 1,7% e a OCDE 1,4%. Quanto ao “motor” da economia mundial, a China, o FMI prevê um crescimento de 6,3% e a OCDE um pouco mais, 6,5%, dentro da meta política de Pequim para 2016.